O impacto da batalha de sigilos entre Flávio e Lula no segundo turno
A troca de desafios entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em torno da quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico virou mais um capítulo da disputa presidencial e passou a integrar a estratégia dos dois candidatos na reta final da campanha.
Para o cientista político Cristiano Noronha, entrevistado por Marcela Rahal no programa VEJA em Foco, a batalha tem potencial limitado para alterar diretamente o resultado do segundo turno, já que os eleitores terão de decidir seus votos antes que os dados eventualmente revelados sejam conhecidos. (este texto é um resumo do vídeo acima) Flávio apresentou à Justiça Eleitoral uma autorização para a quebra de seus sigilos, condicionada à divulgação de informações de Marco Aurélio Santana, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.
O presidente, por sua vez, formalizou ao Tribunal Superior Eleitoral autorização para a quebra de seus próprios sigilos e os de familiares.
Após o desafio de Flávio, integrantes da campanha petista afirmaram que não há oposição às condições sugeridas pelo adversário.
Lula x Flávio: surpresas e reviravoltas da corrida eleitoral Por que a disputa pode ter pouco efeito sobre o resultado? Na avaliação de Noronha, a iniciativa dos candidatos se transformou em uma disputa de exposição pública, mas dificilmente produzirá consequências concretas para a decisão do eleitor antes da votação.
“Virou uma espécie de leilão, uma batalha entre esses dois candidatos, né?”, afirmou o cientista político.
Para ele, Flávio decidiu aceitar o desafio depois que o assunto ganhou força nas redes sociais e aumentou a pressão sobre sua campanha.
Continua após a publicidade O prazo é um fator importante nessa avaliação.
Como a eleição está próxima, Noronha considera que os eleitores deverão definir seus votos antes de conhecerem eventuais informações decorrentes da quebra de sigilos.
Por isso, segundo ele, a iniciativa funciona mais como instrumento de discurso político do que como uma medida capaz de produzir efeitos imediatos sobre a escolha nas urnas.
Como o caso entrou na estratégia eleitoral? O assunto ganhou destaque no debate entre os candidatos promovido pela Band.
Noronha afirmou que o episódio se desenvolveu em um contexto de maior mobilização do PT nas redes sociais após o primeiro turno.
Na avaliação do cientista político, o crescimento da repercussão digital aumentou a pressão sobre Flávio e contribuiu para que ele respondesse ao desafio.
A discussão, portanto, passou a funcionar como uma disputa de narrativa entre as campanhas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.