Servidor é afastado após ameaçar envenenar água de indígenas no MS
A gravação começou a circular no domingo (25/10), após o segundo turno das eleições presidenciais, e motivou denúncias de lideranças indígenas, além de uma investigação solicitada pelo governo federal à Polícia Federal (PF).
O episódio ocorre em meio a relatos de violência e intimidação contra comunidades indígenas de diferentes municípios sul-mato-grossenses, atribuídos a divergências políticas após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As denúncias incluem ameaças de morte, manifestações racistas e suspeitas de contaminação de fontes de água. Também foram relatados atropelamentos e mortes, embora as autoridades de segurança ainda não tenham confirmado relação entre esses episódios e o resultado das eleições.
A identidade do servidor afastado não foi divulgada. Em pronunciamento publicado no Instagram, Torquetti esclareceu que o funcionário pertence ao setor de infraestrutura da administração municipal e não exerce atividades relacionadas ao abastecimento de água, como chegou a ser sugerido após a circulação do áudio.
O prefeito informou que a decisão de afastá-lo foi tomada pela administração municipal, mesmo sem o recebimento de uma notificação formal das autoridades responsáveis pela investigação.
“Esse servidor, um excelente servidor, inclusive, trabalha na infraestrutura, com caminhão-caçamba. De antemão, até o momento a gente não foi intimado por nenhuma esfera. Nosso jurídico entendeu que um processo administrativo será aberto e que o servidor será afastado”, afirmou.
Antes de confirmar a identificação do funcionário, Torquetti já havia visitado a Aldeia Sassoró, onde gravou um vídeo ao lado de uma moradora. Na ocasião, pediu desculpas pelas declarações que circularam nas redes sociais e defendeu que as diferenças de posicionamento político não fossem transformadas em conflitos entre os habitantes da região.
O prefeito também solicitou que a comunidade perdoasse os responsáveis pela gravação caso as manifestações tivessem causado ofensa. Posteriormente, colocou a prefeitura à disposição para colaborar com os esclarecimentos necessários.
Segundo Montiel, moradores da comunidade tiveram acesso ao áudio e já identificaram pessoas que poderiam estar relacionadas ao episódio. A participação de cada uma delas, entretanto, ainda depende de verificação pelas autoridades competentes.
O cacique ressaltou que a ameaça de contaminar a água ultrapassa os limites de uma divergência eleitoral e representa uma forma de intimidação contra os moradores da aldeia.
"Eu gostaria de deixar aqui na condiçã de cacique e vereador da aldeia Sassoró que não vamos aceitar esse tipo de preconceito contra nossa comunidade, ameaçando colocar veneno em água", afirmou.
Montiel também rejeitou a possibilidade de que os indígenas sejam hostilizados em razão de suas escolhas políticas.
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