Exposição em Paris propõe outro olhar sobre imagens e arte produzidas pelos povos indígenas
A mostra Motyrõ - Mutirão, em cartaz na capital francesa, reúne obras de artistas e cineastas de cinco povos indígenas e convida o público a refletir sobre a relação entre imagem, território e resistência. O projeto coletivo incluiu ainda debates e exibições cinematográficas, propondo uma abordagem dos elementos visuais ameríndios não como simples representações do mundo, mas como agentes de sua transformação.
Para os artistas reunidos em Motyrõ: ecologias das imagens ameríndias , uma imagem não é apenas representação. Ela pode ser memória, ferramenta política, forma de transmissão de saberes e expressão da relação entre povos e territórios. Em cartaz na Maison des Sciences de l'Homme , a exposição apresenta ao público produções indígenas contemporâneas que articulam arte, cosmologia e resistência reunindo fotografias, vídeos, pinturas, objetos e performances.
Resultado de cinco anos de colaboração, o projeto foi concebido pelo pesquisador Christian Fischgold em coautoria com os artistas Takumã Kuikuro, Kamikia Kisêdjê, Olinda Tupinambá, Isael Maxakali, Sueli Maxakali e Edgar Kanaykõ Xakriabá , que representam cinco povos indígenas. Além da exposição, a iniciativa incluiu um colóquio e uma sessão de cinema, reunindo diferentes linguagens e perspectivas.
"Uma das ideias do projeto é mostrar como eles utilizam diferentes formas de expressão, como animação, performance, cinema tradicional e documentário, além de diferentes linguagens, para expressar as demandas das comunidades e as suas próprias demandas", explica Fischgold.
Em tupi antigo, motyrõ designa uma forma de trabalho coletivo na qual cada participante contribui para realizar algo que não seria possível individualmente. O conceito está no centro da proposta da exposição, que não pretende apenas apresentar obras indígenas, mas construir um espaço de criação e reflexão compartilhadas.
A mostra parte da ideia de que as imagens podem transmitir saberes, manter vivas as memórias coletivas, afirmar identidades e participar da defesa dos territórios. A proposta é abordar diferentes relações com o visível, da preservação das tradições à luta política, passando pelo corpo como instrumento de expressão e pelas imagens que preservam conhecimentos.
Ao todo, são cerca de 54 fotografias, vídeos, pinturas, objetos rituais e outros elementos que colocam em diálogo diferentes maneiras de compreender a imagem e o mundo, afastando-se da ideia de que a arte indígena constitui uma produção homogênea.
O artista Isael Maxakali afirma que a mostra busca fortalecer a cultura indígena. "O mais importante para o nosso povo é mostrar o nosso conhecimento fora do Brasil e fortalecer a nossa cultura. O povo maxakali fica mais forte, nosso canto, nossa língua, nossa comida tradicional e nossa pintura ficam mais fortes. Nós queremos mostrar a nossa arte para que as pessoas conheçam o nosso trabalho e o nosso conhecimento", disse.
Para Fischgold, a diversidade foi um dos principais critérios para a escolha dos participantes. "Nós temos comunidades e artistas de diferentes biomas. Temos do Cerrado, da Amazônia , da Mata Atlântica.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.