Derrotar, eleger, libertar, anistiar
As nulidades fabricadas por André Mendonça podem derrotar Lula, eleger Flávio Bolsonaro, libertar Jair e anistiar os militares condenados pelas tentativas de golpe que culminaram no 8 de janeiro de 2023.
Esses são os quatro resultados políticos que o ministro “terrivelmente evangélico” parece estar fabricando no Caso Master a 32 dias da eleição presidencial.
Ao retirar o sigilo do relatório da Polícia Federal sobre as relações de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes, Mendonça lançou suspeitas devastadoras contra o STF e o ministro que coordenou toda a investigação, instrução do processo, colheu provas, ouviu testemunhas, escreveu o voto e propôs a pena de 27 anos e 3 meses.
Foi a dosimetria de Moraes que a maioria seguiu.
Mendonça ultrapassou os limites de sua função e ofereceu à defesa de Vorcaro argumentos para tentar anular a Operação Master e atingir seus desdobramentos.
Ao fazer tudo isso no momento decisivo da campanha, interferiu numa eleição em que Lula tenta permanecer no Palácio do Planalto e Flávio se apresenta como o candidato encarregado de libertar o pai e anistiar os demais condenados pela tentativa de destruir a democracia.
Ainda não há prova de que Mendonça tenha provocado deliberadamente esses vícios para eleger Flávio.
Mas é obrigatório perguntar quem será beneficiado se seus abusos contaminarem as investigações, destruírem a reputação de Moraes e abalarem a credibilidade do Supremo em plena campanha eleitoral.
Mendonça expõe Moraes.
Mas preserva Flávio.
E as nulidades que fabrica podem abrir as portas das prisões para Jair Bolsonaro e os militares que programaram o assassinato do presidente Lula e o vice Alkmin – já empossados – e o ministro Alexandre de Moraes, em 2022.
Moro ao contrário O Brasil conhece a força destrutiva de uma nulidade processual.
Em 2021, o Supremo reconheceu que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar quatro ações contra Lula.
Foram anulados os atos decisórios e as condenações impostas por Sergio Moro.
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