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Duas guerras e dois impactos geopolíticos sobre o Brasil

Campo Grande News ·
Duas guerras e dois impactos geopolíticos sobre o Brasil

Claro que não é possível ser a favor de uma guerra por várias razões, entre elas, o elevado número de mortos e feridos e o fato de que conflitos entre nações devem ser resolvidos por meios diplomáticos e não bélicos. Mas, infelizmente, guerras acontecem e em geral provocam consequências diretas sobre cadeias de valor – o que quer dizer que temos que nos preparar com antecedência.

Os países precisam ficar atentos e proteger suas respectivas economias. Foi o que China, Brasil e Noruega fizeram muito bem desde o começo desta guerra no Oriente Médio. No caso do Brasil e da Noruega, a grande vantagem competitiva de ambos é a de possuírem uma matriz elétrica muito limpa, baseada em fontes renováveis como água, vento e sol. Esses dois países exportam petróleo e consomem energia renovável, o que neste momento tem um valor incrível. No caso da China, também houve uma medida inteligente adotada pelo governo: como o país é o maior importador mundial de petróleo, foram adotadas medidas para diminuir essas importações via redução da demanda e enormes incentivos à eletrificação do país e ao uso de veículos elétricos.

Interessante que o Brasil fez a lição de casa e se transformou no oitavo maior produtor de petróleo do mundo. Essa produção que nos transformou em exportador é derivada em boa parte da exploração bem-sucedida do pré-sal, mas também do aumento da capacidade produtiva da Petrobras. Hoje produzimos quatro vezes mais que a Venezuela, que possui as maiores reservas do mundo mas não tem capacidade de produção.

O fato é que o Brasil possui um sistema energético sólido, pois é ao mesmo ao tempo um dos mais importantes produtores de petróleo e possui uma das mais limpas matrizes na geração de energia elétrica. E está fazendo uma transição energética importante.

No caso da outra guerra, entre Rússia e Ucrânia, não estamos nos saindo tão bem. Por conta desse conflito, há uma falta de fertilizantes e de nutrientes (fósforo, nitrogênio e potássio) no mundo, e isso nos prejudica muito.

A pergunta que não quer calar: como é possível que uma potência agrícola como nosso país não tenha considerado a necessidade de sermos independentes na produção de fertilizantes e nutrientes? Dependemos de forma crítica da importação de fertilizantes, adquirindo no exterior entre 85% e 88% de todo o adubo consumido na agricultura nacional. Essa alta dependência expõe o agronegócio a riscos geopolíticos globais, variações cambiais e oscilações nos preços internacionais de insumos fundamentais como nitrogênio, fósforo e potássio. Por que até hoje não apoiamos a criação de uma indústria local de produção de insumos agrícolas, fertilizantes e nutrientes?

É contraditório, mas a verdade é que, apesar de sermos um dos quatro maiores produtores agrícolas do mundo, não prestamos atenção na cadeia de valores que abastece nossa agricultura. Faltou uma política industrial voltada para a criação de fábricas brasileiras que pudessem ser competitivas e abastecer o País em situações de emergência.

Teria sido muito fácil para o BNDES financiar esse parque industrial.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.campograndenews.com.br — o conteúdo pertence a Campo Grande News.

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