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Dólar tem maior alta diária em 23 anos após vitória de Lula e fecha em R$5,4066

UOL Notícias ·
Dólar tem maior alta diária em 23 anos após vitória de Lula e fecha em R$5,4066

SÃO PAULO, 26 Out (Reuters) - O dólar à vista disparou 8,36% frente ao real nesta segunda-feira, maior alta em 23 anos, com o mercado reagindo negativamente ​à vitória do presidente Luiz Inácio Lula da ​Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto na véspera.

O dólar à vista chegou a superar os R$5,60 pela manhã, mas a moeda desacelerou as perdas ao longo da sessão e encerrou com ​elevação de 8,36%, a R$5,4066. ⁠Foi a maior alta ​desde 5 de março de 2003, quando o dólar avançou 10,4%, ⁠e o maior valor de fechamento desde 2 de ​janeiro deste ano.

Às 17h15, o dólar futuro para novembro -- o mais negociado no Brasil -- avançava 8,75% na ‌B3, aos R$5,4100.

As negociações no mercado futuro ‌de dólar -- o ​mais líquido no Brasil e que serve de referência para as cotações no segmento à vista -- enfrentaram paralisações pela manhã, após a B3 ter limitado as oscilações de alta para que ‌os agentes pudessem encontrar um preço de equilíbrio.

Logo cedo a B3 comunicou alteração nos limites de oscilação diária do dólar para todos os vencimentos na sessão desta segunda-feira, de 6% para 8,4%. Depois, emitiu novo comunicado ampliando o limite para 12%, em meio à forte pressão compradora para a moeda norte-americana.

O movimento se deu após Lula vencer a disputa pelo Planalto, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. Como o mercado estava em grande parte posicionado para um triunfo do senador -- ‌o que colocou o dólar abaixo de R$5 na sexta-feira --, o ajuste nesta sessão foi intenso.

Na noite de domingo, profissionais consultados pela Reuters já haviam projetado um forte ​avanço do dólar ante o real após os recuos recentes. Apenas no dia seguinte ao primeiro turno, quando Flávio ficou à frente de ‌Lula, o dólar à vista caiu mais de 4%, em meio à euforia do mercado com a possibilidade de o senador vencer a disputa.

Por trás disso estava a leitura de ‌que, com Flávio no Planalto, cresceriam ‌as chances de um ajuste nas contas públicas. Como Lula venceu o segundo turno, garantindo mais um mandato, os investidores realizaram perdas ⁠e ajustaram posições em todos os mercados nesta segunda-feira, incluindo o de câmbio.

Às 10h46, o dólar à vista marcou a cotação máxima intradia de R$5,6059 (+12,35%), para depois gradativamente retornar para perto dos R$5,40.

Profissionais ouvidos pela Reuters ao longo do dia consideraram a disparada do dólar como algo previsível depois ​da surpresa eleitoral.

“O dólar atingiu ​R$5,60, já está em R$5,45 e deve encerrar a semana em R$5,30”, projetou no início da tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, chamando atenção para o exagero das variações.

“Esse movimento é agudo sempre, o mercado ‘overreacts’ (reage de forma exagerada)”, pontuou.

No fim da manhã, sem efeito sobre as cotações, o Banco Central vendeu 75.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de novembro.

No exterior, que nesta segunda-feira ficou em segundo plano, ⁠às 17h34 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de ​seis divisas -- subia 0,35%, a 102,020.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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