A cidade mais alemã do Brasil fala três idiomas e tem dois recordes mundiais reconhecidos pelo Guinness Book
A herança germânica continua presente na língua, nos costumes e nas festas
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Entre 1860 e 1880 , famílias vindas da Pomerânia , região dividida hoje entre Alemanha e Polônia , subiram o vale do rio Itajaí em busca de terra barata e floresta para derrubar. O que ergueram naquele trecho de Santa Catarina resistiu à guerra, à proibição das línguas estrangeiras e ao tempo. Pomerode , com cerca de 34 mil moradores, guarda a maior concentração de casas enxaimel fora da Europa , dois recordes chancelados pelo Guinness World Records e um selo de turismo sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) .
Porque o município transformou herança familiar em política pública. O português divide o cotidiano com o alemão e com o pomerano , variedade do baixo-alemão que a cidade cooficializou por lei municipal em 2017 , sete anos depois de instituir o alemão como idioma complementar. Nenhum outro município catarinense tem essa dupla cooficialização.
O detalhe que impressiona linguistas é geográfico. A língua quase desapareceu do continente europeu após 1945 , quando a maior parte da Pomerânia passou ao território polonês e a população de origem alemã foi expulsa. No Brasil , comunidades rurais isoladas seguiram falando pomerano em casa, na igreja e na lavoura, e hoje o país concentra mais falantes do idioma do que a própria Alemanha. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) trata esse tipo de fala como patrimônio, por meio do Inventário Nacional da Diversidade Linguística , política que reconhece línguas de imigração como referência cultural brasileira.
Dois, e ambos nasceram na mesma celebração. Segundo o Governo de Santa Catarina , o ovo gigante da Osterfest mede 16,72 metros de altura por 10,88 metros de diâmetro, medição acompanhada por árbitra internacional do Guinness World Records que devolveu à cidade o título de maior ovo decorado do planeta, perdido temporariamente para a espanhola Salou .
O segundo recorde é mais artesanal. A Osterbaum , árvore de Páscoa premiada em 2017 , recebe mais de 110 mil casquinhas de ovos naturais pintadas à mão, tradição em que os galhos secos representam a morte e as cascas coloridas, a vida. Para dimensionar o esforço: é como se cada morador da cidade tivesse pintado três cascas, uma a uma, antes da festa começar.
Viu um bairro rural que vive de sua própria história, sem virar cenário. Conforme a Organização Mundial do Turismo (UNWTO) , agência da ONU, o percurso do bairro Testo Alto reúne cerca de 50 casas tombadas em uma extensão de 16 km e recebeu o selo Best Tourism Villages , concedido a comunidades onde o turismo preserva tradições e paisagem.
A técnica que sustenta essas paredes chegou na bagagem dos imigrantes: vigas de madeira encaixadas por pinos, sem prego nem parafuso, com os vãos preenchidos por tijolos de argila. De acordo com a Fundação Catarinense de Cultura (FCC) , várias dessas edificações também são tombadas como patrimônio material do estado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.