“Mansão do Richarlison”: deputado aciona PGR por suposto crime ambiental de amigo de Flávio Bolsonaro
A disputa pela mansão de luxo na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), envolvendo o jogador da seleção brasileira Richarlison e o advogado Willer Tomaz de Souza, ligado a Flávio Bolsonaro (PL), ganhou um novo capítulo.
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para denunciar suspeitas de crimes ambientais em obras realizadas no imóvel, localizado em uma área de proteção ambiental e pertencente à União.
Na notícia de fato encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF) nesta terça-feira (13), o parlamentar pede a abertura de investigação criminal, a realização de perícia ambiental e o embargo cautelar das obras, que incluem a construção de estruturas metálicas de vários pavimentos, intervenções na vegetação e até o lançamento de concreto diretamente no ambiente marinho.
O imóvel, que possui 11 suítes, piscina, heliponto, quadra de tênis, praia e uma cachoeira, está registrado na Secretaria do Patrimônio da União (SPU) em nome da WT Administração de Imóveis e Bens S/A, representada por Willer Tomaz, desde 2022.
Tomaz é um dos amigos mais próximos de Flávio Bolsonaro (PL), com quem dividiu uma conta de uma empresa que tinha sociedade em avião com Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A representação pede que órgãos federais, estaduais e municipais verifiquem a existência das autorizações necessárias.
Até o momento, o documento não comprova a ausência dessas licenças nem a ocorrência de dano ambiental.
A nova denúncia surge enquanto a própria transferência dos direitos de ocupação da mansão para a empresa de Willer Tomaz é objeto de investigação da Polícia Federal.
A Fórum entrou em contato com a assessoria de Willer Tomaz, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
O espaço segue aberto.
Vídeos mostram concreto lançado no mar e ampliação da mansão O documento encaminhado por Rogério Correia à PGR é acompanhado de quatro vídeos que mostram intervenções de grande porte na propriedade, situada na Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoios, na Costa Verde fluminense.
Em uma das gravações, feita por drone, é possível observar uma estrutura de pilares e vigas de aço de mais de um pavimento, além de uma plataforma de grandes dimensões construída sobre o mar e cercada por painéis brancos.
Outro vídeo, de 21 segundos, mostra dois trabalhadores sobre uma estrutura improvisada de troncos e tábuas, despejando concreto em um funil ligado a um tubo de PVC que desce em direção ao leito marinho.
Segundo a representação, a intervenção sugere a construção ou o reforço de pilares de sustentação diretamente no mar.
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