Dom Quixote sem palavras? Clássico ganha releitura inusitada em estreia nacional em Belém
Clássico de Miguel de Cervantes vira aventura de teatro, mímica e humor da companhia ETC E TAL.
Divulgação Como contar Dom Quixote sem deixar que ele diga uma palavra? Foi diante desse desafio que a companhia carioca ETC E TAL decidiu mexer com um dos personagens mais conhecidos da literatura.
Em Dom Quixote – Uma Aventura Sem Palavras, que faz estreia nacional de 5 a 13 de setembro, na CAIXA Cultural Belém, o cavaleiro e Sancho Pança trocam os diálogos pelo corpo, pela pantomima, pela música, pelo humor e por objetos que se transformam diante do público.
A montagem não tenta colocar no palco, episódio por episódio, o romance de Miguel de Cervantes.
O ponto de partida foi outro e cabe em uma pergunta: qual foi a última vez que você sonhou acordado? Para Álvaro Assad, ator e integrante da companhia, é a capacidade de Quixote de enxergar possibilidades onde os outros veem apenas o cotidiano que mantém o personagem vivo séculos depois.
“Não queríamos simplesmente contar o livro ou reproduzir suas aventuras mais conhecidas, mas nos aproximar desse espírito inquieto, inventivo e cheio de desejo de transformação.” E se Quixote não pudesse falar? Retirar as palavras de uma obra nascida da literatura criou o principal jogo da montagem.
Álvaro Assad e Marcio Moura assumem a atuação e a manipulação dos personagens em uma dramaturgia na qual gesto, música, imagem e objetos precisam fazer aquilo que normalmente caberia ao texto.
Há até uma linguagem inventada, feita de sonoridade e jogo, mas sem obrigação de compreensão literal.
“A pergunta era: como contar Dom Quixote sem ficar preso à necessidade de explicar tudo?”, conta Álvaro.
A resposta também está nas coisas mais improváveis.
Ralos, tampas de latão, cabos de vassoura, talheres e utensílios de cozinha abandonam suas funções originais para virar personagens, figurinos e situações cênicas.
Tecidos escritos, pintados e sobrepostos completam um universo visual desenvolvido com a figurinista Fernanda Sabino e o visagista e aderecista Cleber de Oliveira.
A lógica é essencialmente quixotesca: olhar para uma coisa e conseguir enxergar outra.
Fundado em 1993, o ETC E TAL chega a essa experiência depois de mais de três décadas pesquisando justamente o encontro entre teatro, mímica e humor.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Pará.