Crise no varejo é culpa dos juros altos e do comércio online, diz ministro
O setor de comércio fechou vagas de trabalho com carteira assinada em julho e ao longo dos sete primeiros meses de 2026, um recuo que o governo atribui às altas taxas de juros e ao avanço das vendas pela internet.
O comércio varejista registrou o fechamento de 2.056 vagas de emprego com carteira assinada no mês de julho. No acumulado dos primeiros sete meses de 2026, a perda acumulada do setor atinge 7.896 postos de trabalho.
A alta taxa de juros é a principal razão atribuída pelo governo o corte de vagas no varejo. "Os juros é um fator que tem afetado objetivamente os postos de trabalho no comércio, o que inibe o crédito, a compra propriamente dita, e o impacto dos investimentos para ampliação de postos e de lojas", afirmou à imprensa o ministro interino do Trabalho, Chico Macena.
O avanço das vendas pela internet também forçaria as empresas a reverem seus investimentos. "Você tem uma situação no comércio varejista de mudança de atividade, direcionamento com crescimento das lojas online", avalia o ministro. "A gente recebe demandas desse setor para aumentar a empregabilidade e casos de posicionamento no mercado."
Acredito que seja um reposicionamento momentâneo que o varejo passa e não acredito que seja uma crise estrutural. Chico Macena, ministro interino do Trabalho
Apesar do recuo no comércio, o Brasil criou 58.568 postos de trabalho com carteira assinada em julho. O saldo geral, no entanto, é o pior desempenho para o mês desde 2019 e representa uma queda de 56% na comparação com julho de 2025, quando o país abriu 133.932 vagas formais. O resultado também surpreendeu negativamente o mercado financeiro, que projetava a abertura de cerca de 115 mil novas vagas formais.
O desempenho nacional no mês foi puxado pelo setor de serviços, que gerou 24.098 novos empregos. A construção civil abriu 12.691 vagas, seguida pela agropecuária (+12.523) e pela indústria (+11.315).
O país mantém o sétimo mês consecutivo com mais contratações do que demissões. Julho registrou 2,26 milhões de novas admissões contra 2,20 milhões de desligamentos, elevando o estoque total para 48.082.866 vínculos ativos. Nos sete primeiros meses de 2026, o saldo positivo acumulado é de 972.203 novas vagas formais.
A criação de vagas ficou no azul em 22 das 27 unidades da federação. São Paulo liderou a lista de contratações com 17.814 novos postos, seguido por Mato Grosso (+5.766) e Gerais (+5.199).
Cinco unidades da federação registraram saldo negativo de empregos em julho. As perdas ocorreram no Espírito Santo (-2.605), Rio Grande do Sul (-903), Tocantins (-366), Santa Catarina (-248) e Distrito Federal (-134).
Trabalhadores com ensino médio completo ocuparam a maior parte das novas vagas. Esse grupo registrou um saldo positivo de 94.757 postos de trabalho, enquanto o ensino médio incompleto perdeu 2.880 postos.
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