Vídeos mostram barracos e motos em chamas após operação ambiental na fronteira do Acre com Amazonas
Imagens publicadas nas redes sociais neste domingo (23) mostram barracos em chamas e motocicletas destruídas durante o que seria uma operação de fiscalização ambiental na região do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Antimary, no Ramal dos Paulistas, área localizada na divisa entre os municípios de Boca do Acre (AM) e Porto Acre (AC).
Os registros começaram a circular entre moradores e produtores rurais da região e provocaram reação da Associação Sem Fronteiras, entidade que representa famílias instaladas no assentamento. A presidente da associação, Lucilene da Cruz, afirmou que o grupo busca esclarecimentos sobre a autoria e as circunstâncias da ação.
Segundo ela, representantes da entidade entraram em contato com as superintendências do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Acre e no Amazonas, mas, conforme relatado à associação, as unidades estaduais não teriam coordenado a operação. “A informação que temos é que já entramos em contato com os Ibamas do Acre e do Amazonas e não foram eles que encabeçaram essa operação. Mas ela teria saído de dentro da Sala de Situação do Ibama, em Brasília”, afirmou Lucilene.
A presidente da associação disse que os moradores não pretendem impedir a entrada de órgãos ambientais na região, mas questionam a destruição de bens particulares durante as ações de fiscalização. “O que queremos não é proibir a entrada do Ibama no assentamento. O que queremos é que o Ibama, o ICMBio ou qualquer outro órgão que queira fiscalizar não destrua o patrimônio das pessoas, como casas, meios de transporte e placas fotovoltaicas”, declarou.
Lucilene afirmou que os produtores defendem a responsabilização individual em casos de crimes ambientais, sem que outros moradores sejam atingidos pela ação. “Nossos produtores têm consciência de que eventuais quebras da lei devem ser pagas por quem quebrou a lei, e não pelo vizinho. Pedimos principalmente esclarecimentos sobre tudo isso e solicitamos ao órgão que, por meio de seus agentes, não abuse da autoridade nem destrua o patrimônio das pessoas”, acrescentou.
Ainda de acordo com a presidente da Associação Sem Fronteiras, há relatos de que agentes teriam utilizado veículos pertencentes a moradores durante a operação e recolhido aparelhos celulares de pessoas que estariam registrando a ação.
Diante das informações de que uma nova incursão poderia ocorrer nesta segunda-feira (24), desta vez por via terrestre, moradores e representantes da associação discutem a realização de uma manifestação no Ramal dos Paulistas, nas proximidades da ponte sobre o Rio Antimary, na Vila Boa Fé.
Segundo Lucilene, a mobilização ainda depende da concordância dos moradores e teria como objetivo pedir diálogo e cobrar que novas fiscalizações ocorram sem a destruição de patrimônios.
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