Esquerda tem vitória histórica em Berlim e pode governar a capital alemã em meio ao avanço da extrema direita
De BERLIM | Neste domingo (20), mesmo dia em que o partido de extrema direita AfD conquistou mais uma vitória eleitoral no leste da Alemanha, Berlim caminhou na direção oposta.
O Die Linke (A Esquerda) venceu de forma contundente a eleição para a Câmara dos Deputados da capital alemã e, pela primeira vez em sua história, tornou-se o partido mais votado da cidade-estado.
Liderada por Elif Eralp , de 45 anos, a legenda obteve 25,7% dos votos , mais que o dobro dos 12,2% registrados em 2023 e acima até mesmo do recorde de 22,6% alcançado em 2001, quando ainda disputava eleições sob o nome de PDS.
O CDU, partido do chanceler Friedrich Merz, que governava Berlim, despencou de 28,2% para 18,8% e terminou em segundo lugar.
O AfD também avançou fortemente na capital, passando de 9,1% para 16,3% , seguida pelos Verdes, com 14,3%.
O resultado mais dramático, porém, foi o do SPD: com 12,1% , os social-democratas tiveram seu pior desempenho em uma eleição berlinense.
Seu candidato, Steffen Krach, definiu a noite como “catastrófica”.
Berlim, uma cidade-estado de quase quatro milhões de habitantes e capital política da maior economia da Europa, pode agora ser comandada pela primeira vez por uma mulher de origem migrante e de esquerda.
Quem é Elif Eralp Nascida em Munique, Elif Eralp é filha de pais que deixaram a Turquia em 1980, pouco antes de seu nascimento.
Jurista de formação, entrou para o Die Linke há nove anos e construiu sua atuação política principalmente nas áreas de combate ao racismo e à discriminação.
Está há cinco anos no Parlamento de Berlim e ocupa o cargo de vice-presidente estadual do partido.
Mãe de dois filhos, Elif buscou construir durante a campanha uma imagem diretamente associada à transformação recente do Die Linke berlinense: um partido mais jovem, mais diverso e com presença crescente entre moradores de origem migrante.
A RBB , a emissora pública de Berlim e Brandemburgo, destacou que sua candidatura procurou fugir de uma campanha baseada apenas na rejeição aos adversários e concentrar a mensagem em problemas concretos da vida cotidiana.
O maior deles foi a moradia.
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