No entorno de praça, moradores do Dom Antônio convivem com tiros, morte e medo
A praça deveria ser lugar de brincadeira, encontro e futebol.
No Bairro Dom Antônio Barbosa, em Campo Grande, porém, o som dos tiros interrompe uma rotina que os moradores já não conseguem viver com tranquilidade.
Entre crianças que jogam bola, famílias que participam de atividades sociais e pessoas que tentam seguir a vida, a Rua Anselmo Selingardi acumula registros de mortes e atentados a tiros.
O episódio mais recente ocorreu na noite de sábado (10), quando um adolescente foi assassinado perto de uma praça na esquina com a Rua Lúcia dos Santos.
A arena do Dom Antônio Barbosa fica no cruzamento das ruas Lúcia dos Santos e Anselmo Selingardi, na região do Anhanduizinho, que reúne 218.585 habitantes distribuídos em 14 grandes bairros e é o mais populoso de Campo Grande.
Na manhã deste domingo, o Campo Grande News esteve na região e ouviu moradores que descrevem a violência como parte do cotidiano.
Para Damião Bezerra e Eliene Silva, sair de casa exige atenção, deixar os filhos brincarem significa permanecer por perto e ouvir disparos já não é algo que provoca apenas susto, mas também a preocupação imediata com quem pode ter sido atingido.
Na noite do crime, o casal voltava para casa após uma festa em comemoração ao Dia das Crianças.
Os dois haviam acabado de passar pela região quando ouviram os tiros.
Por alguns instantes, imaginaram que fossem fogos de artifício.
A notícia que chegou depois desfez a impressão.
“A gente tinha acabado de passar.
Chegou em casa, a gente só ouviu os tiros.
Pensamos: ‘Ah, é pipoco de fogos’.
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