Falta de investimento expõe sucateamento da educação especial inclusiva no DF
A educação especial inclusiva foi pensada para assegurar inclusão, acessibilidade e condições adequadas de aprendizagem para todos os estudantes.
Embora o país possua uma ampla legislação sobre o tema, a realidade nas escolas do DF não corresponde ao que é garantido no papel.
Faltam escolas, profissionais, materiais pedagógicos e, principalmente, compromisso do governo Celina-Ibaneis com a modalidade de ensino.
Esse descaso é sentido na pele por quem faz a educação especial inclusiva acontecer na rede pública.
É o caso de uma professora, que pediu para não ser identificada, e atua em um dos 13 centros de ensino especial no DF.
No início do ano letivo, ela passou a conduzir uma turma mista, no período da tarde, com três alunos de 4 e 5 anos: um com Transtorno do Espectro Autista (TEA) suporte II, investigação de suporte III e transtorno de personalidade; outra cadeirante e com deficiência visual; e outro com Síndrome de Down.
A sala em que a docente atuava era dividida com outros três professores, cada um com mais três alunos com necessidades especiais.
Dois educadores sociais auxiliavam os docentes.
Numericamente eram poucos alunos, se comparado às salas de aulas regulares, que chegam a comportar mais de 40.
Entretanto, em um cenário que demanda acompanhamentos individualizados, a quantidade configurava uma situação de superlotação.
Segundo a professora, o estudante TEA apresentava dificuldades de interação e, por isso, era necessário atendimento individualizado.
No entanto, a escola não dispunha de espaço ou de profissionais suficientes para oferecer o acompanhamento que o estudante precisava para se desenvolver plenamente.
Sem o suporte adequado, o estudante passava a tarde desregulado, se debatendo, agredindo os colegas e, por vezes, fazendo as necessidades na sala de aula.
As consequências foram sentidas pela própria professora, que chegou a ser agredida em diversas ocasiões, ficando com hematomas.
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