Seguro de vida ou previdência: por que escolher pode ser um erro
Michael Viriato escreve sobre como cuidar do seu dinheiro, poupar e planejar o futuro
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Imagine que, para sustentar sua família, você precise atravessar um rio todos os dias para buscar alimentos. Seu plano é construir uma ponte que, quando estiver pronta, tornará essa travessia muito mais segura e permitirá que sua família dependa cada vez menos dessas viagens diárias.
O problema é que construir a ponte leva tempo e, enquanto ela não fica pronta, os alimentos continuam sendo necessários todos os dias. O que aconteceria com sua família se algo impedisse você de fazer a travessia amanhã?
Essa é uma boa maneira de entender uma dúvida comum no planejamento financeiro: é melhor fazer uma previdência privada ou contratar um seguro de vida? À primeira vista, eles podem parecer concorrentes, pois ambos consomem uma parcela dos recursos de hoje em nome da segurança financeira.
Na realidade, são complementares porque procuram resolver problemas diferentes e, principalmente, proteger períodos diferentes da nossa vida.
A previdência ajuda a construir a ponte. Imagine alguém com 35 anos que pretende se aposentar aos 65. São 30 anos para poupar, investir e formar o patrimônio que poderá complementar sua renda quando deixar de trabalhar.
Ela procura enfrentar um risco que, felizmente, todos gostaríamos de correr: viver muito e precisar de recursos suficientes para sustentar nosso padrão de vida por várias décadas.
O seguro de vida cuida justamente do período em que essa ponte ainda está sendo construída. O que aconteceria financeiramente se a renda desaparecesse antes de o patrimônio estar pronto?
Quem tem filhos, um cônjuge financeiramente dependente ou outros compromissos pode ter uma distância enorme entre o patrimônio que possui hoje e aquele de que sua família precisaria se algo acontecesse amanhã.
É justamente essa distância que torna os dois instrumentos complementares. A previdência constrói aos poucos o patrimônio que você espera utilizar no futuro. O seguro pode criar imediatamente uma proteção financeira que você ainda não teve tempo de acumular.
Gosto de resumir essa diferença de uma forma simples: a previdência financia o destino; o seguro protege o caminho.
Essa relação também muda ao longo da vida. Aos 35 anos, normalmente temos menos patrimônio e muitos anos de renda do trabalho pela frente. Conforme poupamos e investimos, a ponte vai ficando pronta. O patrimônio cresce, alguns compromissos diminuem e a dependência da renda do trabalho tende a cair. Por isso, a necessidade de proteção aos 35 anos dificilmente será a mesma aos 65.
Mas será que proteção e acumulação precisam estar sempre em caixas separadas? Não necessariamente. Existem tipos de seguro que, além de oferecer proteção para determinados riscos desde o início, também permitem formar reservas ao longo do tempo.
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