Reforma tributária e investimentos sem renúncia fiscal desafiam governo Riedel 2
O segundo mandato do governador Eduardo Riedel terá o desafio de preparar o ambiente econômico de Mato Grosso do Sul, fortalecendo instrumentos de competitividade, como a capacitação de mão de obra para atender à demanda industrial e a eficiência da infraestrutura logística, para que o Estado continue atraindo investimentos produtivos diante da perspectiva de redução gradual da política de incentivos fiscais de ICMS.
Essa é a análise de especialistas da área econômica ouvidos pelo Campo Grande News .
Com a reforma tributária, a partir de 2029, os incentivos fiscais, que hoje são um dos principais instrumentos de atração de investimentos privados para o Estado, começam a ser reduzidos progressivamente até serem extintos em 2032.
Até lá, o Estado deve fortalecer a competitividade interna e reduzir progressivamente a dependência dos benefícios tributários bilionários para atrair capital privado.
A projeção de concessão de incentivos fiscais para os próximos três anos, de 2026 a 2028, no Estado é de R$ 37,95 bilhões, conforme a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026, publicada no Diário Oficial de Mato Grosso do Sul em 16 de julho de 2025.
Mato Grosso do Sul é o terceiro Estado em concessão de incentivos bilionários à economia privada, segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas).
O pesquisador Eduardo Luís Casarotto, professor de Administração da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), avalia que o maior desafio do Estado é desenvolver um ambiente favorável para continuar atraindo novos investimentos privados mesmo sem a concessão de incentivos fiscais.
“Um dos problemas que vejo para o próximo governo é como continuar atraindo investimentos para o Estado e quais serão os pontos fortes para a atração de indústrias para o Estado, principalmente considerando todo o contexto de integração da Rota Bioceânica, cujo início de operação vem sendo postergado”, destaca.
“Está se concretizando o que venho dizendo há algum tempo: ponte pronta não significava ponte funcionando.” Para Casarotto, o Estado terá de fortalecer instrumentos como a capacitação profissional e a infraestrutura logística, por exemplo, para continuar competitivo e disputar investimentos com mais propriedade com estados onde o consumo é grande, como São Paulo, que tendem a se tornar mais atrativos para os investimentos privados diante da reforma tributária.
A reforma muda gradualmente a cobrança de impostos sobre o consumo, que passará a considerar o destino, onde ocorre o consumo.
Com isso, incentivos fiscais estaduais tendem a perder parte da força como diferencial competitivo, aumentando o peso de fatores como mão de obra qualificada, logística, energia e ambiente de negócios.
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