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Atobá: por que essa ave não quebra o pescoço ao mergulhar a 86 km/h?

UOL Notícias ·
Atobá: por que essa ave não quebra o pescoço ao mergulhar a 86 km/h?

O atobá-do-norte pode atingir cerca de 86 km/h ao mergulhar de cabeça no mar para capturar peixes. O bico pontiagudo, as proporções do pescoço e a força dos músculos ajudam a ave a suportar o impacto com a água.

Conhecida pelo nome científico Morus bassanus , a espécie vive no Atlântico Norte e pode chegar a 3,6 quilos e dois metros de envergadura. Os adultos têm plumagem branca, cabeça amarelada e pontas das asas pretas. Os jovens apresentam uma mistura de penas marrons e brancas.

Durante a caça, a ave ajusta a posição das asas e mantém o corpo alinhado para atravessar a superfície. Entre suas presas estão sardinhas e anchovas.

Eles atingem a água em velocidades extremamente altas, com grande precisão e em uma posição altamente hidrodinâmica Samantha Cox, da Universidade de Plymouth, à Hakai Magazine

Uma pesquisa publicada em 2016 na revista PNAS investigou essa resistência e cita velocidades de até 24 metros por segundo, equivalentes a 86,4 km/h. Os pesquisadores analisaram a anatomia das aves, soltaram um exemplar morto e congelado em um tanque e fizeram testes com cones ligados a hastes elásticas, representando a cabeça e o pescoço. Câmeras de alta velocidade registraram a entrada na água.

O momento mais delicado acontece quando a cabeça já está submersa, mas o peito ainda não tocou a superfície. A água desacelera a cabeça enquanto o restante do corpo continua descendo, comprimindo o pescoço.

O formato do bico influencia a força desse impacto. Já os músculos ajudam a estabilizar o pescoço e evitam que ele se dobre sob a pressão. A combinação entre anatomia e velocidade mantém o mergulho dentro de uma faixa de estabilidade, segundo a análise. "A maioria dos sistemas biológicos tenta ter algum tipo de fator de segurança", explicou Sunghwan Jung, um dos autores do estudo e pesquisador da Virginia Tech, à Hakai Magazine.

Os compartimentos de ar na face e no peito dessas aves podem até ser comparados a airbags de um carro, por sua função de amortecimento. Contudo, a estrutura é bem mais complexa.

Um estudo anatômico de 2008 descreveu uma extensa rede de compartimentos aéreos sob a pele do atobá-do-norte. Os autores apontaram características compatíveis com o amortecimento, mas ressaltaram que a função exata ainda precisava de investigação. A pesquisa de 2016 concentrou-se na estabilidade do pescoço.

A velocidade de entrada permite que o atobá alcance vários metros de profundidade. Depois, ele pode usar as asas para continuar perseguindo os peixes. Em um estudo publicado em 2009, os atobás-do-norte monitorados não ultrapassaram 11 metros apenas com o impulso do mergulho. Com movimentos das asas debaixo d'água, chegaram a 24 metros.

Fora da água, os atobás-do-norte se reúnem em grandes colônias para se reproduzir, principalmente em penhascos e ilhas. Geralmente, a fêmea põe um único ovo, e o casal compartilha os cuidados com o filhote, segundo a Smithsonian Ocean.

Essa rotina conecta o oceano à terra firme.

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