Dívida bilionária que motivou 1,9 mil demissões nas Casas Bahia surpreende com rombo oculto além do que foi declarado à Justiça; confira valor real da dívida
Dívida oculta das Casas Bahia é referente a débitos extraconcursais. Entenda o que eles significam na crise financeira da gigante varejista
A crise na Casas Bahia é muito mais profunda do que os R$ 17,3 bilhões declarados no recente pedido de recuperação judicial.
Um levantamento divulgado pelo jornal O Globo revelou que a gigante varejista possui outros R$ 11 bilhões em débitos fora do processo oficial de reestruturação.
Enquanto os números bilionários surpreendem o mercado, quase 2 mil trabalhadores demitidos de forma repentina vivem drama com incertezas após o corte que pode ter chegado a 3 mil demissões ao longo do mês.
Os R$ 11 bilhões extras tratam-se de dívidas “extraconcursais”, valores que, por lei, não entram no pedido de recuperação judicial.
Esse montante adicional aos R$ 17,3 bilhões já revelados no processo de recuperação inclui dívidas com o Banco do Brasil (cerca de R$2,4 bi), Bradesco (R$4,1 bi) e fornecedores tradicionais de eletrodomésticos, como Whirlpool (R$ 165 mi), fabricante da Consul e Brastemp, e Atlas (R$140 mi).
Segundo o jornal, a relação de débitos fora da recuperação da Casas Bahia ainda inclui R$ 1 bi de ICMS e R$ 49 milhões em PIS/Cofins. Créditos tributários são naturalmente classificados como extraconcursais.
Assim, somando as dívidas listadas e os débitos externos, o passivo real da empresa atinge a marca de R$ 28 bilhões.
A medida drástica de pedir proteção judicial ocorreu após a varejista registrar um prejuízo de R$ 10,1 bilhões apenas no segundo trimestre deste ano.
Os valores devidos pela gigante varejista agora estão sujeitos à auditoria que vai confirmar se os R$ 17,4 bilhões que justificaram o fechamento de quase 300 lojas se enquadram na perspectiva de recuperação por via judicial.
Se forem aceitos os pedidos, a negociação será conduzida pela Justiça a partir de mesas de deliberação dos acordos. Assim, a empresa deverá apresentar um planejamento de recuperação, com as propostas de pagamento e sugestões de desconto nos valores das dívidas. A proposta deve ser votada em assembleia de credores e, depois de aprovada, os pagamentos começam.
Para conter a sangria, a Casas Bahia iniciou o fechamento de quase 300 lojas e engatilhou cerca 3 mil demissões.
Desses desligamentos, a companhia dispensou cerca de 1,9 mil trabalhadores de forma abrupta entre os dias 13 e 14.
Muitos dos desligados foram surpreendidos com lojas fechadas no dia 13, sendo comunicados por meio de mensagens coletivas sem aviso prévio ou negociação com os sindicatos locais.
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