Carbono Oculto mira ex-diretor do Banco Genial e executivo ligado ao Master
A 3ª fase da Operação Carbono Oculto, apelidada de Crédito Oculto, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco), em parceria com a Receita Federal, mira Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, seus irmãos, André e Bruno Tupinambá, além do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos, delator do caso envolvendo o Banco Master.
Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão em 29 endereços vinculados a 13 pessoas físicas e 24 pessoas jurídicas.
As suspeitas são da utilização de estruturas complexas de lavagens de capitais para a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
De acordo com o MP de São Paulo, "houve sobreposição de estruturas pela organização criminosa, para, inicialmente, ocultar o controle de uma empresa sucroalcooleira e, depois, a aquisição de uma distribuidora de combustíveis".
As diligências apontam que a usina teria recebido em suas contas bancárias R$ 100 milhões enviados pela organização criminosa para financiar a referida aquisição.
Seguindo modus operandi já apontado pelo Ministério Público de São Paulo, os valores passaram “em poucos minutos” por múltiplas contas gráficas de três empresas do grupo ocultadas por contas bolsões em Fintechs, usadas como meras “contas de passagem”, até aportarem na conta da referida usina sucroalcooleira.
As investigações apontam que a primeira estrutura foi criada para ocultar e dissimular os reais proprietários.
Posteriormente, outro operador financeiro, titular de fintechs e outras empresas, teria utilizado a infraestrutura societária e financeira do seu grupo empresarial, não apenas para a movimentação financeira das empresas da organização criminosa, como para criar novas camadas de ocultação sobre a titularidade da usina sucroalcooleira, entre outras fraudes.
Os investigadores apontam que embora a titularidade formal da empresa sucroalcooleira estivesse distribuída entre fundos de investimento e outras empresas aparentemente independentes, os elementos reunidos indicam que a estrutura foi organizada para preservar o controle econômico dela sem que os reais beneficiários fossem revelados.
"Um dos principais achados, inclusive, envolve uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina.
Segundo os levantamentos, uma empresa ligada à sociedade de investimentos adquiriu os créditos mediante a transferência de cotas de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC)", completa o Ministério Público de São Paulo, destacando que "a análise financeira indicou que parcela relevante dos recursos empregados na aquisição das cotas se originou de fundos de investimentos controlados pelo mesmo grupo investigado".
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