Gonzaguinha é enfocado como um ser político e libertário em documentário conduzido pela ideologia do artista
Gonzaguinha (1945 – 1991) tem o pensamento retratado no filme da cineasta Susanna Lira Divulgação ♫ CRÍTICA DE DOCUMENTÁRIO MUSICAL Título: Gonzaguinha – Da maior liberdade Direção: Susanna Lira Roteiro: Rodrigo Alzuguir Cotação: ★ ★ ★ ★ ♬ Quando, ao som do samba “É” (1988), rolam os créditos finais de “Gonzaguinha – Da maior liberdade”, documentário de Susanna Lira apresentado na 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado na noite de ontem, 20 de agosto, é difícil conter a emoção e a admiração por Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior (22 de setembro de 1945 – 29 de abril de 1991), cidadão brasileiro, um carioca nascido e criado no Morro do São Carlos, no Estácio, celeiro de bambas.
Ali, naquele momento final, o filme deixa evidente que o moleque que “vivia correndo da polícia com a bola debaixo do braço”, como ele mesmo se perfila em fala inserida no início do roteiro, se tornou um homem coerente com os princípios que defendeu na música e na vida.
Previsto para ter debutado no festival In-Edit Brasil, mas efetivamente apresentado no Festival Gramado, duas semanas antes da estreia nos cinemas em 3 de setembro, “Gonzaguinha – Da maior liberdade” é documentário que se nutre da ideologia do cantor, compositor e músico que levantou a voz contra a ditadura.
No filme, a diretora Susanna Lira dá voz quase que somente a Gonzaguinha, abrindo exceções para a mãe de criação do artista, Leopoldina de Castro Xavier, a Dona Dina, e para Luiz Gonzaga (1912 – 1989), o pai biológico, com quem Gonzaguinha bateu de frente ao longo da vida, mas com quem se afinou, respeitando as diferenças ideológicas entre pai e filho, no fim dessa vida encerrada abruptamente há 35 anos em um acidente de carro em estrada do Paraná.
Sem a preocupação de salpicar informações biográficas e dados da trajetória artística de Gonzaguinha, Lira segue um roteiro – assinado por Rodrigo Alzuguir – em que o pensamento do artista é a matéria-prima, o fio condutor, o combustível que transporta o espectador para um tempo de luta.
Entre reproduções de músicas, imagens e falas do cantor, a cineasta encena entrevista concedida por Gonzaguinha ao jornal “O pasquim” em maio de 1981, no auge da popularidade, época em era gravado cotidianamente pelas maiores cantoras do Brasil.
Na encenação da entrevista, Gonzaguinha é personificado de forma convincente pelo ator André Dale.
Contudo, o recurso soa até dispensável porque as falas mais densas são ouvidas no filme na voz do próprio Gonzaguinha.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Pop & Arte.