Crise de Ceuta: o dilema do que fazer com as crianças que chegaram sozinhas e que a Espanha não sabe a quem devolver
Centenas de crianças marroquinas estão nas ruas de Ceuta à espera de receber atendimento Marcos Moreno/Getty Aconteceu poucas horas depois da entrada de dezenas de milhares de pessoas do Marrocos em Ceuta, cidade espanhola no norte da África: enquanto agentes e militares espanhóis se esforçavam para conduzir a multidão de estrangeiros até a fronteira para que retornassem ao lado marroquino, uma criança se agarrou ao pescoço de um dos agentes uniformizados e suplicou, entre lágrimas, que a deixasse ficar.
"Não, Marrocos não", dizia ela, chorando em seu idioma.
Algumas mulheres intervieram e traduziram suas palavras.
Até que, por fim, um oficial superior se pronuncia.
"Ela não pode ir sem estar acompanhada", diz aos seus subordinados, conduzindo-a para instalações próximas da Guarda Civil (que integra as forças de segurança de âmbito nacional na Espanha).
A cena resume um dos desafios que a mais recente crise migratória na fronteira sul representa para a Espanha.
No último dia 30 de julho, cerca de 72 mil pessoas provenientes do Marrocos entraram ilegalmente em Ceuta, nadando ou escalando montanhas.
Embora a grande maioria tenha retornado ao Marrocos em menos de 48 horas, centenas de menores permanecem na cidade, cujo centro de acolhimento ficou totalmente sobrecarregado.
Agora no g1 As leis espanholas impedem a deportação de menores estrangeiros desacompanhados quando não há garantias para sua segurança e desenvolvimento no país de origem.
Os menores que continuam em Ceuta perambulam e dormem pelas ruas da cidade, alimentando-se graças à solidariedade de moradores e trabalhadores humanitários, enquanto aguardam uma resposta das autoridades locais — uma situação que o presidente da cidade autônoma de Ceuta, Juan Jesús Vivas, e organizações de apoio à infância classificaram como uma "emergência humanitária".
As autoridades de Ceuta dizem que há uma emergência humanitária diante da chegada à cidade de milhares de pessoas em apenas alguns dias EPA Tanto o governo espanhol quanto o marroquino expressaram a intenção de devolver as crianças às suas famílias no Marrocos.
Mas os especialistas e os precedentes indicam que, em muitos casos, isso não é possível devido às exigências legais e à falta de colaboração entre os Estados, ou porque os menores não dispõem de um ambiente seguro e adequado para onde retornar em seu país.
Enquanto vários parceiros europeus, liderados pela Itália, questionam a política migratória do presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, e diversas regiões do país se mostram relutantes em receber as crianças de Ceuta, a Espanha enfrenta um grande dilema sobre o destino desses menores.
Qual é a situação dos menores em Ceuta Até terça-feira (11/08), as autoridades espanholas haviam identificado 1.527 menores estrangeiros em Ceuta.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Mundo.