Lula resgata origem sindical, critica extrema direita e ressalta segurança na largada da campanha
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu oficialmente neste domingo (16/08) sua campanha à reeleição em um dos locais mais simbólicos de sua trajetória política: o Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, conhecido historicamente como Vila Euclides. Foi ali que, no fim dos anos 1970 e início dos anos 1980, o então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva ganhou projeção nacional à frente das greves dos metalúrgicos que desafiaram a ditadura militar.
O ato, que reuniu milhares de apoiadores, as estimativas divulgadas pela imprensa variaram entre 20 mil e 30 mil pessoas, marcou o início oficial da sétima campanha presidencial de Lula e da busca por um quarto mandato. O slogan escolhido é “o Brasil pronto para mais”, acompanhado da frase “onde tudo começou”, conectando a imagem atual do presidente à origem operária e sindical que marcou sua carreira.
Durante cerca de 35 minutos de discurso, Lula alternou lembranças pessoais, defesa das realizações de seus governos, críticas ao campo político de direita e promessas para um eventual novo mandato. O tom foi marcado pela emoção, mas também por uma mensagem de confronto eleitoral com a extrema direita e o projeto entreguista defendido por seus líderes.
Um dos principais eixos do discurso apresentou a eleição como uma disputa entre dois projetos políticos. Lula afirmou que não pretende permitir o retorno da direita ao poder e responsabilizou o governo de Jair Bolsonaro pela condução da pandemia de covid-19, que deixou mais de 700 mil mortos no Brasil – estudos epidemiológicos apresentados em debates públicos, como na CPI da Pandemia, estimam que cerca de 400 mil vidas poderiam ter sido poupadas.
A crítica ao adversário político, cujo filho, Flávio Bolsonaro, além de outros candidatos à Presidência, se coloca como herdeiro, foi acompanhada de um apelo para que a militância esteja preparada para comparar os resultados de sua administração com os do governo anterior. Lula cobrou dos apoiadores uma postura mais ativa na defesa dos indicadores econômicos e sociais de sua gestão.
A estratégia reforça uma das linhas centrais da campanha: transformar a comparação entre os governos Lula e Bolsonaro em um dos principais instrumentos de disputa pelo eleitorado, na medida em que o governo do atual presidente supera o do seu antecessor, que hoje cumpre pena por tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
A segurança pública apareceu como uma das principais novidades programáticas do discurso. Lula voltou a defender a criação de um Ministério da Segurança Pública, proposta que já havia sido apresentada pelo governo e que dependerá da aprovação da legislação correspondente.
A iniciativa representa uma tentativa de ampliar a presença do governo federal em uma área tradicionalmente explorada eleitoralmente pela direita.
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