Vilarejo de 358 habitantes quer deixar o Reino Unido por causa da imigração
Um pequeno vilarejo rural no centro da Inglaterra votou pela separação do Reino Unido em protesto contra planos de abrigar mais de 1.000 migrantes em uma antiga instalação militar nas proximidades.
O referendo ocorreu na última terça-feira (15) em Piddington, Oxfordshire, com uma maioria esmagadora de eleitores apoiando a iniciativa simbólica de buscar a autodeterminação como um principado, anunciou Susannah Parden, vice-presidente do conselho paroquial, na quarta-feira (16).
“Foram contabilizados 312 votos, o que representa quase 92% das cédulas emitidas”, disse ela, revelando que houve 285 votos a favor, 26 contra e um voto nulo.
O referendo foi realizado em resposta aos planos do governo de abrigar até 1.250 migrantes homens adultos na Bicester Garrison, uma antiga instalação militar perto do vilarejo.
Leia Mais Papa Leão alerta sobre Inteligência Artificial substituir decisões humanas Trump critica governo brasileiro: “Falhou ao confrontar PCC e CV” UE propõe Conselho de Segurança paralelo com Canadá, Reino Unido e Noruega Piddington tem uma população de 358 habitantes — segundo dados de 2021 da Diocese de Oxford —, uma igreja e um centro comunitário; não há comércio local, agência dos correios ou um bar na vila.
O resultado da votação não tem valor jurídico, mas é mais um sinal das crescentes tensões em torno da imigração no Reino Unido, particularmente sobre a chegada de barcos de migrantes que atravessam o Canal da Mancha vindos da França e a questão de onde abrigar esses recém-chegados.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, do Partido Trabalhista, tem tentado transferir esses imigrantes de acomodações temporárias caras em hotéis para antigas bases militares, o que gerou oposição das comunidades vizinhas.
Tim McNally, presidente do conselho paroquial de Piddington, disse em uma coletiva de imprensa na quarta-feira que a votação “é um exemplo da democracia em ação”.
Os planos de abrigar migrantes na antiga instalação militar “poderiam virar nosso vilarejo de cabeça para baixo”, disse ele, acrescentando que o referendo fazia parte de uma frustração mais ampla com a política migratória do governo.
“Piddington não está fazendo isso apenas por si mesma”, disse McNally.
“O que aprendi nessa jornada é que há muitas, muitas pessoas em todo o país extremamente frustradas e irritadas com a conduta do governo e da democracia”, acrescentou.
Falando em nome do governo, a ministra da Cultura, Lisa Nandy, disse ao programa BBC Breakfast que compreendia essas preocupações, mas argumentou que a questão é anterior à gestão do atual governo.
“No meu distrito eleitoral de Wigan, tivemos problemas reais com a abertura repentina de hotéis para abrigar requerentes de asilo, sem qualquer aviso prévio e sem consulta à população”, disse ela.
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