Fim da “taxa das blusinhas” prejudica a economia, diz Fiemg
A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) defendeu a retomada da tributação sobre importações de pequeno valor, conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”.
A posição foi apresentada pela economista da federação, Juliana Gagliardi, que alertou para os impactos negativos do fim da cobrança sobre a economia brasileira , ao Bastidores CNN .
O que está em jogo Segundo Juliana Gagliardi, a “taxa das blusinhas” foi instituída pela Lei nº 14.902 com o objetivo de garantir uma concorrência mais equilibrada entre produtos importados e nacionais.
A medida estabelecia uma alíquota de importação sobre produtos de até US$ 50.
No entanto, a MP (Medida Provisória) 1.357, atualmente em vigor e em discussão para ser mantida, propõe reduzir essas tarifas a zero.
“O objetivo das taxas das blusinhas é permitir que haja, de certa medida, uma concorrência mais equilibrada entre o produto internacional e o produto nacional”, afirmou Juliana Gagliardi.
Ela destacou que o Brasil já enfrenta um ambiente de negócios oneroso, marcado por alta burocracia, elevada carga tributária e infraestrutura logística deficitária — fatores que compõem o chamado “custo Brasil” e que já penalizam a produção e a comercialização internas.
Leia mais Congresso adia para setembro reunião da MP da "taxa das blusinhas" CNC encaminha carta ao Congresso contra MP das blusinhas Tarcísio rebate Haddad e diz à CNN não ter pedido "taxa das blusinhas" Impactos sobre a indústria e o varejo Para a economista, a entrada massiva de produtos importados a preços assimétricos gera prejuízos tanto para a indústria nacional quanto para o comércio varejista .
“Uma vez que a ampliação de entrada desses produtos internacionais de pequeno valor a um preço que não é competitivo gera, de certa forma, um prejuízo tanto para a indústria nacional como também para o comércio varejista”, explicou.
Ela acrescentou que essa dinâmica estimula a substituição de produtos domésticos por importados em condições consideradas desleais.
Juliana Gagliardi também reconheceu que, durante o período em que a tributação esteve vigente , a medida contribuiu para um ambiente concorrencial mais estável para o produtor doméstico, mesmo diante de outros desafios, como as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos e o cenário de juros elevados e desaceleração econômica.
“ Elas traziam para o contexto nacional um equilíbrio competitivo que, embora houvessem outros fatores que estivessem prejudicando esse ambiente, ela, de certa medida, ainda conseguia manter um equilíbrio”, disse.
Medidas estruturais são necessárias A economista ressaltou, no entanto, que a “taxa das blusinhas” por si só não é suficiente para resolver todos os problemas do ambiente de negócios brasileiro.
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