Os primeiros pescadores portugueses no Brasil só usavam o anzol
É extraordinário descobrir que já no longínquo século XVI, quando por aqui chegaram, os portugueses tinham consciência de que, por um lado, a pescaria não era inesgotável e de que, por outro, era preciso disciplinar e controlar a natural cobiça e a conhecida propensão da índole humana para abusos egoístas.
Foi com esse entendimento que não hesitaram em proibir, sob multas pesadas, toda a pesca em alguns lagos "pelo menos no período favorável à subida de algumas espécies".
É isso mesmo que vocês entenderam, ainda que não usassem a palavra, já conheciam a importância da piracema.
Vale repetir: há mais de 500 anos, sabiam que os peixes desapareceriam de rios, lagos e mares caso não proibissem a pesca.
A "carteirinha" de pescador dos portugueses.
Tão "vaselinas" quanto os governantes atuais, os portugueses abriam exceções para alguns privilegiados pescarem livremente.
Os pescadores deveriam inscrever-se nos livros dos Almoxarifados, para poderem usufruir da isenção da "dízima durante os dois primeiros anos de faina".
Todavia, os "moradores da terra", hoje chamamos de ribeirinhos, nada pagariam, podiam retirar a quantidade de peixes que julgassem conveniente.
Só anzol.
Determinaram a completa abolição de "redes, de nassas (cestos de vime), nos covões (poços profundos nos rios) e de tesões (qualquer instrumento rijo, como porretes).
O único apetrecho permitido era o anzol.
Acrescente-se também que a mesma lei punia severamente quem atentasse contra a criação dos peixes lançando nos cursos de água substâncias danosas e venenosas aos peixes tais como "cal, trovisco, coca (a hoje famosa cocaína) e barbasco".
E ainda nos ensinavam sobre ecologia ao precaver os peixes das praias onde o gado bebia água.
Só temos um "pequeno" problema: ao invés de aprendermos com a história, emburrecemos.
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