Virar a noite estudando pode fazer você aprender menos: entenda o papel do sono na memória
Sacrificar o descanso pode comprometer o desempenho nas provas, pois o cérebro consolida informações enquanto dormimos
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Para muitos estudantes, principalmente às vésperas de uma prova importante, reduzir o tempo de descanso pode parecer uma boa estratégia para ganhar mais horas de estudo. No entanto, a neurociência mostra que essa escolha pode não ser tão vantajosa. Mais do que um período de descanso, o sono desempenha um papel importante na consolidação das informações aprendidas.
A meta-análise “ Bayesian meta-analysis reveals the mechanistic role of slow oscillation-spindle coupling in sleep-dependent memory consolidation “, publicada em 2025 na revista científica eLife, reuniu dados de 23 estudos e 297 tamanhos de efeito para investigar justamente a relação entre mecanismos do sono e retenção de memória. O trabalho identificou uma associação entre o acoplamento preciso e forte de dois padrões de atividade cerebral que acontecem durante o sono profundo (as oscilações lentas e os chamados fusos do sono) e a consolidação das memórias.
Segundo o médico Renato Gama, professor da pós-graduação em Neurologia da Afya Educação Médica do Rio de Janeiro, o cérebro não simplesmente “desliga” durante o sono. Ao contrário, ele passa por processos fundamentais para transformar informações recentes em memórias mais estáveis.
“Durante o sono, principalmente nas fases mais profundas, o cérebro reorganiza as informações adquiridas durante o período de vigília. É como se ele fizesse uma seleção e integração do que foi aprendido, fortalecendo determinadas conexões entre os neurônios. Por isso, dormir depois de estudar é parte do processo de aprendizagem, e não uma interrupção dele”, afirma o neurologista.
Durante o dia, o estudante entra em contato com uma grande quantidade de informações. Parte delas permanece temporariamente disponível, mas isso não significa que tenha sido consolidada como memória de longo prazo.
É durante o sono que diferentes mecanismos contribuem para essa consolidação. A mesma pesquisa publicada na eLife investigou especificamente a relação entre as oscilações lentas e os fusos do sono. Os resultados apontaram que, quanto mais preciso e forte é o acoplamento entre esses dois padrões de atividade durante o sono profundo, maior tende a ser a retenção das informações.
O fenômeno é particularmente observado no lobo frontal e está relacionado à forma como o cérebro processa e estabiliza as memórias adquiridas anteriormente. Para Renato Gama, isso ajuda a explicar por que passar mais tempo diante dos livros nem sempre significa aprender mais.
“Existe uma diferença entre exposição ao conteúdo e aprendizagem. O estudante pode passar cinco ou seis horas lendo, mas, se estiver privado de sono, pode ter dificuldade para consolidar aquilo que estudou. A memória depende tanto do momento em que adquirimos a informação quanto do que o cérebro faz posteriormente com ela.”
Não necessariamente a madrugada em si é o problema. O principal fator é sacrificar horas de sono para aumentar o tempo de estudo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.