Boulos e presidentes do BB e Caixa batem boca em reunião com Lula e Alckmin
Uma reunião ontem, no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Lula e do vice Geraldo Alckmin, foi palco de tensão entre o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) e os presidentes do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, e da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira Fernandes.
A razão da discussão girou em torno da baixa adesão ao Move Brasil, programa lançado pelo governo para motoristas de aplicativos e taxistas financiarem a compra de novos veículos.
Segundo apurou a coluna, Boulos chegou a acusar os bancos públicos de atuarem com "preconceito financeiro" ao impor dificuldades para que o crédito seja tomado pelos trabalhadores. Fontes dos bancos públicos ouvidas pela coluna minimizaram a discussão de ontem e afirmam que se tratou apenas de um diálogo.
Conforme mostrou reportagem do jornal Folha de S. Paulo , o BNDES liberou até o momento 11,3% dos R$ 30 bilhões disponíveis. Membros do governo Lula reclamam do ritmo das liberações e culpam a baixa adesão dos grandes bancos privados, que estariam superdimensionando o risco de crédito dos motoristas de aplicativo.
Para além dos bancos privados, a reclamação de integrantes do governo —expostas ontem na reunião— é que BB e Caixa deveriam tomar a iniciativa para destravar o programa, visto como um possível ativo importante eleitoralmente.
Também estavam presentes na reunião os ministros Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação), Miriam Belchior (Casa Civil) e Dario Durigan (Fazenda).
Segundo apurou a coluna, diante da discussão e da cobrança feita aos presidentes do BB e da Caixa, Lula optou por colocar panos quentes e delegou que o ministro da Fazenda concentre os trabalhos agora para buscar formas de incentivar a adesão ao programa.
A coluna procurou o BB, a Caixa e o ministro Boulos, que não se manifestaram. No caso de um posicionamento, a coluna será atualizada.
Já como uma tentativa de destravar o programa, após a reunião, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério da Fazenda publicaram ainda ontem, em edição extra no Diário Oficial da União, uma portaria conjunta que ampliou o alcance do programa Move Brasil - Táxi e Aplicativos.
"Com a mudança, os motoristas cadastrados no programa poderão agora financiar carros de até R$ 200 mil - valor da Nota Fiscal. O teto, até então, era de R$ 150 mil. A nova portaria também inclui, entre os veículos elegíveis, os híbridos com diferentes combinações de fontes de energia, integrando motor elétrico e motor a combustão que utilize álcool, gasolina ou ambos", afirmam os ministérios.
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