Grandezas e mis�rias do Estado-engenheiro chin�s
Professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, é pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap)
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A China é hoje mais bem avaliada que os Estados Unidos pelos habitantes de 30 de 36 países incluídos na "Pesquisa Global de Atitudes", conduzida anualmente pelo respeitado instituto americano Pew Research Center. E o líder chinês Xi Jinping inspira mais confiança aos entrevistados do que Donald Trump . É um resultado inédito. Reflete o enorme desgaste da imagem internacional dos EUA, produto da truculência com que a Casa Branca vem conduzindo a política exterior do país. Mas também atesta o crescimento do prestígio internacional da China graças à sua pujante ascensão econômica e à capacidade de ocupar posições na fronteira da inovação produtiva.
Para aqueles que, como eu, pouco sabem dessa nova potência, será de grande proveito a leitura de "Breakneck: China’s Quest to Engineer the Future" (em tradução livre, Velocidade extrema: a busca da China por projetar o futuro) de Dan Wang, ainda sem edição em português. Chinês de nascimento, criado no Canadá, formado em economia nos Estados Unidos, Wang trabalhou sete anos na sua terra natal como analista de tecnologia.
Seu livro propõe uma explicação original para o êxito econômico da China: não decorre do regime político autoritário de Beijing nem de uma forma específica de sistema econômico, mas das capacidades estatais desenvolvidas por uma liderança política formada por engenheiros. O Estado-engenheiro tem vocação e meios para encontrar soluções técnicas para os problemas e apetite aparentemente insaciável de fazer: ferrovias, pontes, metrôs, portos, aeroportos, usinas, redes elétricas, fábricas e cadeias industriais, habitação em larga escala, projetos de renovação urbana. Fazendo obras, tirou da pobreza milhões de concidadãos e melhorou a vida nas grandes cidades.
Wang contrapõe o Estado-engenheiro chinês ao Estado-advogado americano, habilitado a regular, limitar, contestar —e, em última instância,— bloquear iniciativas, tornando mais confusas as decisões de políticas públicas e muito mais lenta a sua implementação.
O livro não faz apologia do sistema chinês, mesmo quando descreve com admiração seus logros materiais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Poder.