Os recados a Trump na escolha do Nobel da Paz de 2026
O presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , não recebeu o Prêmio Nobel da Paz 2026 nesta sexta-feira, 9, que havia defendido merecer dois dias atrás .
Mas sua figura não deixou de estar presente durante o pronunciamento do Comitê Norueguês, em Oslo, que anunciou como vencedora a renomada jurista sul-africana Navi Pillay .
Durante seu segundo mandato, o mandatário americano argumentou repetida e publicamente, em diversas ocasiões, que merece o Prêmio Nobel da Paz pelo seu suposto papel no fim de (segundo ele) oito guerras, exercendo uma pressão inédita sobre o Comitê Norueguês que faz a escolha entre centenas de indicados.
No ano passado, após reclamar por ter sido ignorado na premiação, recebeu um consolo da laureada da vez: a líder oposicionista venezuelana, María Corina Machado, presenteou o ocupante do Salão Oval com a medalha que recebeu em Oslo.
O Comitê Norueguês do Nobel reiterou que o prêmio é intransferível, enquanto políticos noruegueses descreveram o ato como “constrangedor e humilhante” . + Quem é Navanethem ‘Navi’ Pillay, ganhadora do Nobel da Paz de 2026 Trump voltou a dizer, na última quarta-feira 7, que deveria receber o Nobel por ter mediado conflitos (“fiz coisas que ninguém mais jamais fez”), evitado guerras de acontecer (“usando o poder das tarifas e várias outras medidas como ameaça”) e livrado o mundo todo “da aniquilação” — de acordo com ele, sua guerra contra o Irã impediu que o país desenvolvesse uma bomba nuclear.
Continua após a publicidade Contra a ‘vontade dos mais fortes’ Embora o presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jorgen Watne Frydnes, não tenha citado Trump diretamente, seu discurso para anunciar a homenagem a Navi Pillay estabelece um contraponto direto a medidas da Casa Branca contra a Justiça internacional.
“A paz duradoura deve ser construída sobre princípios jurídicos, não sobre a vontade dos mais fortes”, afirmou ele, contrapondo duas formas de conduzir as relações internacionais — uma baseada em regras compartilhadas e outra na capacidade de uma potência impor sua vontade às demais.
A referência é especialmente pertinente à política externa trumpista, marcada pela ênfase na soberania americana e pelo uso indiscriminado de instrumentos de pressão econômica e diplomática.
Continua após a publicidade + Navanethem ‘Navi’ Pillay: os casos mais marcantes na trajetória jurídica da Nobel da Paz “Vemos uma guinada em direção à política de poder, em detrimento dos marcos jurídicos e do respeito global pela lei e pela justiça.
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