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Laura Cardoso, no teatro, ia habilmente do trágico ao cômico e ao patético

UOL Notícias ·
Laura Cardoso, no teatro, ia habilmente do trágico ao cômico e ao patético

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É geralmente no teatro que a maior parte dos grandes intérpretes dá seus primeiros passos e aprende as primeiras lições. Mas não é a regra. Com algumas reprimendas dos pais, que temiam a carreira artística, Laura Cardoso , morta nesta segunda-feira (17), fez sua estreia no rádio aos 15 anos.

Foi no veículo, ainda no auge naqueles anos 1940, que trocou o Laurinda de batismo pelo nome artístico de Laura. Ali, aprendeu e treinou aquilo que antes fazia em casa, sem compromisso, quando montava um palco improvisado de caixotes para declamar textos e inventar histórias diante da avó portuguesa —sua primeira espectadora.

Da rádio Cosmos passou logo à televisão, da qual foi uma das pioneiras. Na nascente TV Tupi, em 1952, estreou no programa "Tribunal do Coração", e não parou mais. Passou pelo Grande Teatro Tupi, pela TV de Comédia e por muitas emissoras, como Record, Bandeirantes, Cultura e Globo .

Sua formação atravessa praticamente todos os meios de representação do século 20 —da radionovela ao teleteatro, do teatro aos novos formatos da televisão. Nos primeiros anos, lidava com as ferramentas que tinha às mãos e construiu um percurso de técnicas mais intuitivas do que formais.

Criada por Décio de Almeida Prado para profissionalizar o ofício da atuação, a Escola de Arte Dramática estava ainda nos primeiros anos. Em depoimento para o livro "Laura Cardoso: Contadora de Histórias", de Julia Laks, a atriz relembra que muito do que "foi baseado num estudo muitas vezes solitário, em erros e acertos. Atuávamos porque víamos os colegas no teatro, no cinema e tentávamos repetir o que faziam".

A trajetória, mais baseada na prática do que na teoria acadêmica, não fez da artista uma inimiga dos livros. Ao contrário, a jovem Laura sempre complementou as lições aprendidas no dia a dia com uma sede pela leitura. Acreditava que o ator tem a obrigação de ser culto, conhecer o mundo.

E conectou-se ao espírito de mudança na arte de atuação trazido por iniciativas como o TBC, o Teatro Brasileiro de Comédia, instalado no bairro do Bixiga, e o Teatro do Estudante do Brasil.

Sua sucessão de trabalhos —sempre foram muitos— e a dedicação com a qual encarava cada um deles não podem ser lidos, portanto, apenas como um percurso profissional, mas também de formação. Um caminho de encontro com novas técnicas e com novo material humano.

Colega de geração de outras grandes, como Cacilda Becker, Maria Della Costa e Fernanda Montenegro , Laura nunca ocupou o lugar de estrela ou diva. Contava que um colega de profissão a definiu certa vez como uma ‘operária’ e ela aderiu ao rótulo com alegria: "Operária, sim. Quem sou eu para não ser? É uma honra ser uma operária".

Sua estreia no teatro foi tardia. Já tinha mais de 30 anos e era uma intérprete tarimbada quando atuou pela primeira vez sob a batuta de Antunes Filho. A peça "Plantão 21", que chegou aos palcos em 1959, era uma obra realista do teatro estadunidense e chamou atenção pela técnica de seu então jovem diretor.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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