TCU vê risco para Infraero após deficit de R$ 1,3 bi em 2 anos
O Tribunal de Contas da União alertou nesta 4ª feira (16.set.2026) para o risco de deterioração financeira da Infraero.
A estatal registrou prejuízo primário de R$ 540 milhões em 2024 e de R$ 775 milhões em 2025, deficit acumulado de R$ 1,315 bilhão em 2 anos.
Eis a íntegra do relatório (PDF – 706 kB).
A conclusão consta de uma auditoria sobre a situação fiscal e a gestão da companhia.
O acompanhamento foi aberto depois de a Infraero aparecer entre as 9 estatais com dificuldades financeiras relacionadas no 7º Relatório de Riscos Fiscais da União, elaborado pela Secretaria do Tesouro Nacional.
A auditoria constatou que a concessão de aeroportos à iniciativa privada reduziu de forma estrutural as receitas da Infraero.
A estatal administrava 66 aeroportos em 2011, mas passou a operar, a partir de 2024, apenas o Santos Dumont, no Rio, e terminais regionais menores.
No início de 2026, a companhia administrava 22 aeroportos regionais, todos deficitários operacionalmente.
Enquanto apresentava o seu voto, o relator do processo, o ministro Benjamin Zymler, ressaltou que o caso da Infraero é compartilhado também por outras estatais.
Disse que é um problema estrutural dessas companhias, que surge com a “ modernização ” dos setores em que atuam.
Citou o caso dos Correios como equivalente.
O principal risco identificado pelo TCU foi a manutenção do limite de 6,5 milhões de passageiros por ano no Santos Dumont, único aeroporto superavitário da estatal.
O limite existe desde 2023 para redistribuir a demanda aérea do Rio de Janeiro e fortalecer o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, que foi leiloado para a empresa espanhola Aena em março deste ano.
Segundo as projeções elaboradas pela equipe técnica da Corte de Contas, a restrição reduzirá em R$ 983 milhões o resultado operacional da Infraero de 2026 a 2030 e manterá a empresa no vermelho durante todo o período.
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