Dia dos Professores: salário menor, violência e sobrecarga desafiam carreira docente
No Dia dos Professores, celebrado nesta quarta-feira, 15 de outubro, os avanços recentes na aprendizagem convivem com desafios persistentes na educação básica brasileira.
Segundo Bárbara Born, gerente de políticas educacionais do Todos Pela Educação, houve melhora no desempenho dos estudantes nas últimas duas décadas, sobretudo em língua portuguesa, mas matemática, os anos finais do ensino fundamental e o ensino médio ainda concentram dificuldades.
Para ela, a valorização dos docentes é um dos pontos centrais para enfrentar esse cenário. (Este texto é um trecho do vídeo acima) Em entrevista ao programa Ponto de Vista , Born afirmou que o processo de valorização profissional não pode ser resolvido por uma única medida.
“O processo de valorização docente é multifacetado”, disse.
Na avaliação dela, o salário é uma dimensão estruturante: embora exista um piso nacional para a categoria, o salário médio de um professor corresponde a 85% do rendimento de profissionais com formação superior.
Por que o salário não é suficiente? Para Born, melhorar a remuneração é necessário para atrair novos profissionais e manter aqueles que já estão na carreira, mas não basta.
As condições enfrentadas dentro das escolas também pesam sobre os professores.
A gerente do Todos Pela Educação citou o aumento de relatos de adoecimento e de violência em sala de aula, além da pressão relacionada à gestão do comportamento dos estudantes.
Continua após a publicidade Outro problema é a jornada.
Segundo ela, muitos professores trabalham em mais de uma escola ou rede de ensino e acumulam uma quantidade elevada de aulas.
A redução da carga de trabalho, aliada a tempo para preparar as atividades e conhecer as famílias e os estudantes, seria uma das medidas capazes de melhorar as condições de exercício da profissão.
A saúde física também é afetada pelo ambiente escolar.
Born mencionou problemas relacionados ao excesso de ruído, que podem comprometer a saúde vocal, além de casos de tendinite e problemas de coluna associados a jornadas extensas e ao caráter fisicamente exigente do trabalho.
Continua após a publicidade O que falta para cuidar da saúde dos professores? Segundo Born, não existe atualmente uma política nacional abrangente voltada à saúde mental dos professores.
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