Ibovespa abre em queda com inflação dos EUA e cautela eleitoral no radar
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, opera em queda de 1,03% na manhã desta quarta-feira, 14, aos 204 746 pontos, pressionado pela inflação nos Estados Unidos e pela cautela dos investidores com o cenário eleitoral brasileiro.
O dólar é negociado próximo de 5,04 reais, em meio às preocupações com a trajetória dos juros americanos e seus possíveis efeitos sobre os mercados emergentes.
O movimento ocorre após a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos.
O núcleo da inflação americana, que exclui os preços mais voláteis de alimentos e energia, avançou 0,3% em setembro, acima da expectativa de 0,2%.
O resultado reforçou as preocupações com a persistência das pressões inflacionárias e com a possibilidade de o Federal Reserve (Fed), banco central americano, manter uma política monetária mais restritiva.
Segundo Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, a surpresa inflacionária aumenta a pressão sobre os ativos brasileiros, uma vez que juros elevados nos Estados Unidos tornam os títulos americanos mais atraentes e reduzem o apetite dos investidores por mercados emergentes.
“A surpresa mostra que a pressão não ficou restrita aos combustíveis e aumenta o risco de novo aperto pelo Fed”, afirma Murad.
Continua após a publicidade Na prática, a perspectiva de juros americanos mais altos tende a fortalecer o dólar e elevar o retorno exigido pelos investidores para aplicar recursos em países como o Brasil.
Esse movimento também pode pressionar os juros futuros domésticos e afetar especialmente empresas mais dependentes de crédito, como as dos setores de varejo e construção civil.
O desempenho negativo dá continuidade às perdas registradas na sessão anterior, quando o Ibovespa encerrou o pregão aos 206.872 pontos, com queda de 1,04%.
Na ocasião, os juros futuros também avançaram, refletindo a combinação de incertezas internas e externas.
Continua após a publicidade No cenário doméstico, os investidores acompanham os desdobramentos da corrida presidencial e os resultados da pesquisa Quaest, que podem influenciar as expectativas sobre a condução da política econômica no próximo governo.
Para Murad, entretanto, a conjuntura internacional pode limitar uma eventual reação positiva dos ativos brasileiros.
Outro tema acompanhado pelo mercado é a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários.
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