Juros seguirão elevados para direcionar inflação à meta, diz diretor do BC
O diretor de assuntos internacionais do BC (Banco Central), Paulo Picchetti, afirmou que a taxa básica de juros da economia brasileira vai permanecer em um patamar elevado diante das recentes incertezas que dificultam a missão de direcionar a inflação de volta à meta.
Picchetti prevê manutenção da política monetária restritiva. Apesar das cinco reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual da taxa Selic, de 15% para 13,75% ao ano, o diretor do BC entende que o "ciclo de calibração" vai manter os juros elevados para conter os preços. "As taxas ainda estão e vão ser mantidas em patamar restritivo pelo tempo suficiente para atingir o nosso compromisso de convergência à meta", disse.
Autoridade monetária defende cautela para o futuro da Selic. Em linha com o que indicou a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), Picchetti destacou que o BC aguarda por informações para indicar os próximos passos da política monetária. "O contexto atual de incerteza bastante grande, tanto no Brasil quanto no exterior, nos leva a essa abordagem que a gente tem adotado e comunicado de ficar dependente dos dados", explicou.
BC elevou para 90% a chance de a inflação furar o teto da meta. A avaliação de Picchetti surge em meio à projeção apresentada pelo Relatório de Política Monetária de que a inflação deste ano será de 5,2%. Se confirmada, a variação ficará acima da margem de tolerância de 1,5% para a meta de 3% estabelecida para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
Mercado prevê mais um corte da taxa Selic ainda neste ano. Após a redução de 0,25 ponto percentual na semana passada, para 13,75% ao ano, os analistas passaram a projetar mais um corte de mesma magnitude nas últimas duas reuniões do Copom a serem realizadas em novembro e dezembro. Caso a previsão seja confirmada, a taxa básica de juros vai encerrar o ano em 13,5% ao ano.
Alívio temporário da inflação não limita a preocupação do BC. Picchetti reconheceu que o índice cheio de inflação e a média dos núcleos de preços, que desconsidera preços voláteis, estão abaixo do limite de tolerância, mas continuam acima da meta e devem subir nos próximos meses. "Você continua com uma pressão de demanda por trás do comportamento dos preços", avaliou.
Permanência da guerra no Oriente Médio amplia temores recentes. Picchetti recordou que, ao final do segundo trimestre, os acordos de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã estimulavam as expectativas mais favoráveis à inflação, o que não se sustentou e manteve o petróleo em valorização. "A partir de outubro, a gente tem a inflação voltando a superar a margem de tolerância de mate", avaliou.
A guerra continua, sem uma perspectiva clara de fim, e isso afeta o preço do petróleo e de derivados, que nos preocupam pelos impactos que têm aqui sobre a inflação doméstica. Paulo Picchetti
Dificuldades também atingem outros bancos centrais pelo mundo. O diretor de assuntos internacionais do BC observa que a missão de colocar a inflação novamente no centro das metas é um entrave para as principais economias.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.