Na ONU, Lula critica EUA, Israel e ‘inimigos externos’ antes das eleições no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta terça-feira (22) um discurso firme durante sua participação na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) .
Em Nova York, Lula criticou a perda de capacidade da organização para responder às guerras, acusou o governo de Benjamin Netanyahu de praticar “genocídio” em Gaza, condenou o uso de tarifas como instrumento de “coerção e chantagem” e rejeitou ingerências externas na América Latina.
Ao falar do Brasil, afirmou que o país “não cabe no quintal de ninguém” e encerrou o pronunciamento com uma mensagem diretamente ligada às eleições de 4 de outubro, ao dizer que não permitirá que “inimigos da democracia, internos e externos” atentem contra a vontade popular.
Na abertura da fala, Lula afirmou estar movido pela “indignação” e apresentou um diagnóstico crítico da situação das Nações Unidas.
Para o presidente, a organização não tem conseguido desempenhar uma de suas principais funções diante da multiplicação dos conflitos internacionais.
“A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas, a de livrar o mundo, a humanidade, do flagelo da guerra.
Sua credibilidade nunca esteve tão baixa.
Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército, nem arsenais, nunca foi tão pequena” , declarou.
Lula atribuiu parte dessa paralisia ao funcionamento do Conselho de Segurança e ao poder de veto de seus membros permanentes.
Segundo ele, “somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel” .
O presidente afirmou ainda que o mundo enfrenta uma “profunda crise de liderança”, em meio ao aumento dos conflitos armados e a uma nova corrida por armamentos.
“Não desconheço as realidades do poder, mas as concessões à lei do mais forte já passaram dos limites.
Isto não é idealismo, é o mais puro realismo.
A guerra não é a continuação da política por outros meios, é a falência total da política” , disse.
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