Homem condenado injustamente seis vezes pelo mesmo crime morre nos EUA
Curtis Flowers, um homem negro do Mississippi que foi condenado injustamente ao ser julgado seis vezes pelo mesmo crime e pelo mesmo promotor, morreu nos EUA. O caso foi noticiado pela emissora CBS News.
Flowers, 56, morreu ontem em sua casa no Mississippi. O advogado Rob McDuff, que integrou a equipe de defesa do homem, disse que a causa da morte não foi divulgada.
O caso começou em julho de 1996, quando quatro pessoas foram mortas a tiros em uma loja de móveis em Winona. O dono do estabelecimento, uma contadora, um entregador e um adolescente de 16 anos foram baleados na cabeça.
Flowers havia trabalhado por três dias na loja antes dos assassinatos e foi preso no Texas em janeiro de 1997. Ele não tinha antecedentes criminais e não havia DNA, impressões digitais ou arma que o ligassem ao crime.
Um júri formado apenas por pessoas brancas condenou Flowers no primeiro julgamento, após uma hora de deliberação. Ele tinha 27 anos, recebeu pena de morte e conseguiu anular a condenação em recurso. Flowers foi julgado mais cinco vezes pelo mesmo crime e pelo mesmo promotor, Doug Evans.
Outras três condenações caíram em recursos, enquanto dois julgamentos terminaram sem veredito. No sexto processo, em 2010, Evans obteve uma condenação que levou Flowers de volta ao corredor da morte.
Uma investigação à época do podcast 'In the Dark', da American Public Media, levou testemunhas a voltarem atrás em seus relatos. Jornalistas também analisaram dados judiciais e apontaram que Evans excluía pessoas negras dos júris em proporção maior.
Ao longo dos julgamentos, McDuff havia classificado o caso de Flowers como 'sem precedentes na história do sistema jurídico americano'. Dos 72 jurados dos seis julgamentos, 61 eram brancos, e todos votaram pela condenação. Em 2019, a Suprema Corte dos Estados Unidos anulou a decisão ao concluir que Mississippi e Evans violaram direitos constitucionais de Flowers.
O ministro Brett Kavanaugh escreveu que houve um esforço 'implacável e determinado para retirar indivíduos negros do júri'. Seis meses depois, Flowers deixou a prisão sob fiança, pela primeira vez em 23 anos.
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