terça-feira, 13 de outubro de 2026 📬 Resumo no TelegramPortaisSobre🌓
🇧🇷 BR ▾
ÚLTIMAS
Ciência

Plantar, prensar e colher

Pesquisa FAPESP ·

Nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, dois laboratórios perseguiam uma pergunta que parecia pequena diante da encrenca global: de que é feita a maconha? Na Universidade de Illinois, Roger Adams (1889-1971), que chefiava o departamento de química, trabalhava a pedido do governo norte-americano.

As autoridades, que haviam acabado de, na prática, proibir a planta com o Marijuana Tax Act, queriam saber exatamente o que havia dentro dela.

Na Ingla­terra, em Manchester, sob bombardeio, Alexander Todd (1907-1997), diretor dos laboratórios de química da universidade e futuro Nobel de Química, trabalhava com um haxixe indiano (a resina extraída das flores da cannabis, prensada em bloco) que um colega refugiado do nazismo despachara da Índia em mala diplomática.

Os dois isolaram o canabidiol, o CBD, e disputaram a autoria da descoberta.

Nenhum dos dois achou o que procurava: o tetra-hidrocanabinol (THC) só seria identificado em 1964, em Jerusalém, por Raphael Mechoulam (1930-2023).

Em toda a década de 1940, o PubMed, plataforma que reúne as mais importantes revistas científicas da área biomédica, registrou menos de 50 artigos com a palavra “cannabis”.

Em 2006 foram 533; em 2025, mais de 4.100, recorde histórico.

Boa parte dessa produção não investiga os efeitos do uso recreativo, e sim possí­veis aplicações médicas — das epilepsias graves da infância aos espasmos da esclerose múltipla, passando por insônia, autismo e síndrome de Tourette.

A nova trincheira, contudo, é acumular evidências de quali­dade para essas e outras condições.

É o que a dupla de reportagens de capa desta edição procura mostrar.

De um lado, faltam estudos maiores, mais longos e bem desenhados .

Como disse à revista o professor Lucindo Quintans Júnior, da Universidade Federal de Sergipe, “o entusiasmo clínico e comer­cial correu mais depressa que os ensaios clínicos”.

De outro, o mercado avança descompassado : as autorizações da Anvisa para uso de canabinoides saltaram de 850, em 2015, para quase 195 mil em 2025, ano em que o setor movimentou perto de R$ 1 bilhão no país.

Convivem aí dois regimes: 25 empresas detêm os 52 produtos autorizados pela agência, registro restrito à indústria farmacêutica; as associações de pacientes, 315 com cadastro ativo, fornecem a seus associados mediante decisão judicial.

Ler a notícia completa no Pesquisa FAPESP ›

Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistapesquisa.fapesp.br — o conteúdo pertence a Pesquisa FAPESP.

Mais de Pesquisa FAPESP

Ver tudo ›

Mais em Ciência

Ver tudo ›