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Política

Há 50 anos, o Brasil perdeu o craque que assobiava

Revista Fórum ·

Há 50 anos, em 26 de agosto de 1976, o Flamengo perdeu uma de suas revelações mais promissoras, já com status de convocado para a seleção brasileira, por Osvaldo Brandão. A morte de Geraldo, o Assobiador, deixou no ar muitas dúvidas sobre até onde ...

Há 50 anos, em 26 de agosto de 1976, o Flamengo perdeu uma de suas revelações mais promissoras, já com status de convocado para a seleção brasileira, por Osvaldo Brandão. A morte de Geraldo, o Assobiador, deixou no ar muitas dúvidas sobre até onde chegaria: ao Mundial de 78, na Argentina? No Mundial Interclubes de 81, com o Flamengo derrotando o Liverpool? Nunca se sabe, mas a certeza é que estava ali um craque como poucos.

Geraldo vivia assobiando. Com os amigos, com a namorada, no treino e até em jogos. Assobiava até em campo, jogo duro ou não. “Na decisão da Taça Guanabara de 1976, ele e Zico erraram os pênaltis e o Flamengo perdeu. E ele saiu assobiando”, conta Renato Maurício do Prado, jornalista que estava atrás do gol. Cabeça erguida, jogador clássico, daqueles que a bola gosta. “Um estilo parecido com o de Ademir da Guia, um complemento ideal para Zico, diz Mauro Cézar Pereira. De bem com a vida, convocado para a seleção principal com 21 anos, antes até do que Zico, seu parceiro de Flamengo. Geraldo Cleofas, filho de Oswaldo Boi, irmão de Washington, Lincoln, Júlio César e Wilson, não tinha medo de nada. Só de injeção.

Ele jogou com toda a geração do Flamengo que seria campeão do mundo em 1981, o time de Raul, Leandro, Leandro, Figueiredo, Mozer e Júnior, Andrade, Adílio e Zico, Tita, Nunes e Lico. Se não tivesse morrido em 1976, estaria no time? Em lugar de quem? “Certamente, iria jogar, não sei em lugar de quem”, afirmou o ponta esquerda Júlio César “Uri Geller”, seu companheiro de concentração, em entrevista ao Globo. A lógica aponta para o lugar de Adílio, um jogador de outro estilo. “Muito mais dinâmico”, conta Mauro Cézar.

O melhor amigo de Geraldo era Zico, que o chamava de “meu irmão preto”. Os estilos combinavam, Zico muito mais agressivo e Geraldo, mais cadenciado, mas as semelhanças paravam por aí. “Em termos de comportamento, o Geraldo era mais para Paulo César Caju do que para Zico. Ele era bad boy”, relembra Renato Maurício. Uma fama que estava incomodando Geraldo. Em entrevista ao Globo, semanas antes de morrer, falou sobre o assunto. “Eu precisei lutar e abrir meu caminho. Ninguém se lembra que até pouco tempo eu era um menino do interior, afastado da família e dos amigos. Vou começar a cortar o cabelo mais curto e parar de jogar com o meião arriado, para ver se pegam menos no meu pé. Mostrarei que sou apenas um jogador que deseja vencer no futebol porque tem uma família para sustentar”.

A carreira foi curta. Pelo Flamengo, marcou 13 gols em 169 jogos. “Ele preferia o passe ao gol. Teve uma partida contra o Olaria que ele fez de tudo e na hora de marcar, eu chutei a bola”, lembra Zico.

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