Menina caso zero da zika diz 'papai' pela 1ª vez aos 10 anos: 'Emocionante'
O dia 31 de julho de 2026 ficará marcado para sempre na memória do professor de história Mário Matias Filho. Ao chegar em casa, em Juazeirinho (PB), ouviu a filha Catarina Maria, de 10 anos , falar pela primeira vez a palavra "papai". Para coroar ainda mais o momento, a conquista veio justamente oito dias antes do Dia dos Pais.
Catarina ficou conhecida por ser o "caso zero" que serviu para a ciência confirmar a presença do vírus da zika relacionado à microcefalia ainda na placenta da mãe, em novembro de 2015.
Àquela época, havia um aumento desproporcional de bebês nascendo com microcefalia no Nordeste, e ninguém sabia o que estava causando o fenômeno.
Os prognósticos de Catarina, assim como os das crianças que nasciam naquele período, eram de que ela poderia nem sobreviver ao parto e, caso sobrevivesse, poderia ter limitações a ponto de viver em estado vegetativo.
Mas a progressão de Catarina surpreendeu e hoje ela estuda no 5º ano da escola e tem uma vida praticamente normal: brinca, sorri, interage...
Mário conta ao UOL que reconheceu a voz de Catarina dizendo "papai" ainda quando estava passando pelo portão de casa. "É emocionante, não dá para colocar em palavras o que eu senti ao ouvi-la", diz.
Para ele, ouvi-la falando "papai" deu a certeza de que todo o esforço valeu a pena. "Eu e minha esposa tivemos de abrir mão de oportunidades de trabalho, deixar projetos de lado; mas é gratificante demais saber que valeu a pena cada terapia, cada cuidado, todo amor, fé e tudo que fizemos e continuamos fazendo por ela".
Catarina tem, desde os quatro meses de vida, acompanhamento contínuo de uma equipe multidisciplinar, com fisioterapeuta e fonoaudióloga, para auxiliá-la no desenvolvimento.
Um fator que contribuiu para o bom desenvolvimento é que a mãe de Catarina, Conceição Alcântara, é fisioterapeuta e, desde o começo da vida da filha, passou a estimular seu desenvolvimento.
Com os apoios, Catarina conseguiu desenvolver bem a parte cognitiva e a mobilidade motora e hoje consegue caminhar sem ajuda de outras pessoas e até andar de bicicleta.
Conceição conta que ela consegue falar oito palavras: "Ela já falou os numerais 'três' e 'cinco', além de 'mãe', 'oi', 'aqui', 'esse', 'tchau' e, agora, 'pai'.
"Ela entende todos os comandos, mas ainda se comunica muito por gestos. Para cada pessoa, ela criou um gesto. E uma coisa que a ajudou muito foi a irmãzinha [Clarisse, de 4 anos]", diz.
Um post compartilhado por Ceiça Alcantara/ Pilates e Fisioterapia /Juazeirinho-PB. (@pilates.ceicaalcantara)
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