Fictor quer usar precatórios herdados do Master para pagar credores
A Fictor, que tentou comprar o Banco Master antes de sua liquidação, pretende pagar seus credores com recursos de indenizações que passaram pela instituição financeira de Daniel Vorcaro. O recebimento desse dinheiro, porém, ainda depende de disputas na Justiça.
A proposta já vinha sendo discutida em reuniões com advogados de alguns credores, segundo apurou a reportagem, e foi apresentada hoje, em uma assembleia de credores, que acabou suspensa no início da noite.
"Os credores não podem ficar reféns de aditamentos baseados em ativos cuja liquidez, exigibilidade e efetiva capacidade de geração de recursos ainda são questionáveis. A recuperação judicial exige transparência, previsibilidade e propostas concretas, não expectativas incertas", diz o advogado Vitor Mello, que representa um grupo de credores da Fictor.
O grupo pediu recuperação judicial (RJ) em fevereiro e declarou dívidas de R$ 4,25 bilhões. Procurada, a Fictor não respondeu até a publicação deste texto.
Os créditos têm origem em ações de usinas de açúcar e álcool contra a União. Elas alegam ter sofrido prejuízos porque o governo controlava os preços de seus produtos, obrigando-as a vender abaixo do custo de produção.
O Master comprou de usinas o direito de receber essas indenizações. Quando a cobrança chega à etapa de pagamento pelo governo, a Justiça emite uma ordem chamada precatório.
Ao comprar os precatórios, o banco pagava menos do que esperava receber ao fim dos processos. Em troca da possibilidade de lucro, assumia a espera e o risco de receber menos do que o previsto.
Parte desses direitos chegou ao Krispy, fundo do qual a Fictor afirma ter comprado uma participação. Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Pau lo, um crédito da Usina São João passou do Master para outro fundo, o GSR, e depois para o Krispy.
É esse fundo que a Fictor pretende usar para pagar suas dívidas. Mas o valor de um dos créditos terá de ser revisto: em setembro, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região anulou a decisão que havia fixado a indenização da Usina São João em R$ 3,35 bilhões e determinou novos cálculos por especialistas. O direito à indenização foi preservado, mas a quantia ainda não está definida.
A vendedora foi a Titan Capital Holding, empresa de Daniel Vorcaro nas Ilhas Cayman usada para reunir investimentos. A Fictor informou que comprou parte do Krispy em 16 de outubro de 2025, um mês antes da liquidação do Master.
A operação apareceu na recuperação judicial como uma dívida de R$ 430 milhões da Fictor com a Sefer Investimentos, uma distribuidora de títulos e valores mobiliários. A Sefer, liquidada em junho, atuava como representante no Brasil de empresas estrangeiras ligadas a Daniel Vorcaro, dono do Master.
No início da RJ da Fictor, a Sefer contestou a inclusão de seu nome entre os credores: disse que apenas representava terceiros e não era a dona do dinheiro a receber.
Também houve divergência sobre quem cuidava do fundo. A Fictor atribuiu essa função à Sefer, mas os documentos apontavam empresas da Reag — grupo de João Carlos Mansur que prestava serviços de administração de fundos ao Master.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.