Diplomacia científica no agro pode auxiliar Brasil com barreiras externas
Antes das tarifas, a ciência agrícola.
Entre os desafios do agro brasileiro no mercado internacional estão as dificuldades de consolidar a pesquisa nacional como uma das referências mundiais sobre agricultura tropical para possibilitar comparar sistemas de produção adotados ao redor do globo, além de ampliar o reconhecimento do que é desenvolvido no Brasil.
A avaliação é resultado de anos de pesquisa da chefe da Embrapa Gado de Corte e conselheira da Organização Mundial dos Agricultores (WFO), Mariana Pereira, que identifica a persistência de uma visão predominantemente eurocêntrica e norte-americana na definição de parâmetros científicos e produtivos internacionais.
“A Europa tem ainda uma visão muito errada sobre esses temas e sobre a produção no Brasil, que, ao mesmo tempo, é a maior referência em ciência tropical do mundo”, afirma à reportagem.
Leia Mais Sanidade animal se torna diferencial econômico para pecuária brasileira Certificação é chave para carne brasileira acessar Coreia, diz Apex Confinamento avança em 2026 mesmo com leve alta nos custos de produção Segundo Pereira, o desconhecimento sobre as pesquisas, tecnologias e práticas produtivas desenvolvidas no Brasil contribui para a formação de barreiras que antecedem até mesmo as restrições tarifárias e comerciais.
Para superar esse cenário, é necessário ampliar a capacidade de comunicar ao mundo o conhecimento produzido nas instituições de pesquisa e aplicado nas propriedades rurais brasileiras, em um movimento conhecido como diplomacia científica.
O conceito se refere ao uso da ciência, da pesquisa e da cooperação internacional como instrumentos de aproximação entre países, construção de confiança e influência nas decisões globais.
Participam pesquisadores e instituições científicas em fóruns internacionais, o intercâmbio de conhecimento e a produção de evidências capazes de subsidiar políticas públicas, negociações e acordos comerciais.
No agronegócio, a diplomacia científica ganha relevância diante das diferenças entre os sistemas produtivos de regiões tropicais e temperadas.
A apresentação de dados científicos sobre produtividade, sustentabilidade, uso da terra e tecnologias adaptadas ao clima tropical pode contribuir para o reconhecimento das particularidades da agricultura brasileira e para a construção de parâmetros internacionais que considerem diferentes realidades produtivas.
No contexto, a ciência passa a desempenhar também um papel estratégico nas relações comerciais, ao oferecer embasamento técnico para o diálogo com parceiros internacionais e ajudar a enfrentar percepções equivocadas sobre a produção agropecuária brasileira.
Uma das estruturas que dão suporte à ciência voltada à agricultura tropical no Brasil é o SNPA (Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária).
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