Fraude em taxímetros no Galeão fazia corridas custarem mais de R$ 900
A Polícia Civil deflagrou ontem uma operação contra esquema de adulteração de taxímetros que tinha como alvo passageiros do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio. As cobranças chegavam a R$ 900 por uma corrida.
A fraude acontecia por meio de um dispositivo eletrônico escondido atrás de um botão do porta-malas, usado para aumentar o valor das corridas. As equipes cumpriram mandados de busca e apreensão nos bairros do Rocha e Piedade, na zona norte, no centro, e no aeroporto.
Na ação, 35 taxistas e jóqueis foram conduzidos para prestar depoimento e 17 táxis foram apreendidos. A investigação teve início a partir da denúncia de um passageiro que, durante o trajeto, notou um salto repentino no valor indicado no taxímetro. Ao chegar ao destino, havia pagado cerca de 50% a mais do que a tarifa regular. Os nomes dos alvos não foram divulgados, por isso não foi possível localizar as defesas deles.
Veículo foi localizado e submetido à perícia. Os policiais identificaram uma pequena placa eletrônica conectada ao taxímetro e capaz de multiplicar os pulsos enviados pelo sensor do automóvel, fazendo com que a tarifa aumentasse. O dispositivo ficava atrás de um botão do porta-malas e podia ser acionado discretamente pelo motorista acrescentando, de uma só vez, cerca de 20% ao valor da corrida.
Investigações revelaram que o golpe fazia parte de uma estrutura organizada. Documentos apreendidos indicaram que a instalação do dispositivo era exigida pela empresa responsável pela locação dos táxis e realizada em uma oficina indicada pelo próprio grupo.
Há indícios de que a frota vinculada ao grupo alcance cerca de 200 veículos. Além disso, também se apura a possibilidade de que o mecanismo já viesse instalado em modo automático antes mesmo da entrega do carro ao motorista locatário, o que permitiria que a fraude operasse de forma contínua e silenciosa. Polícia Civil, em nota
Jóqueis abordavam passageiros, especialmente turistas e pessoas que não conheciam a cidade. Eles recebiam comissão por direcioná-los aos veículos sem autorização para operar no Galeão. O material coletado pelos policiais identificou diversas cobranças abusivas, incluindo corridas superiores a R$ 900 para a zona sul do Rio.
A atuação dos jóqueis é coordenada por um integrante do tráfico de drogas que atua na comunidade do Barbante, na Ilha do Governador, localizada ao lado do aeroporto, diz a polícia. "A organização criminosa vem tentando, ainda, impor aos taxistas regularmente autorizados que passem a atuar em conjunto com os captadores, submetendo também o serviço legalizado ao seu controle. Segundo os agentes, essa prática, até o momento, não se concretizou", informou a Polícia Civil.
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