Abelhas-rainhas expostas a pesticidas transferiram parte da contaminação para os próprios ovos, uma defesa que pode proteger a mãe e cobrar um preço da colônia
Experimento rastreou pesticida entre operárias, rainha e ovos e revelou um mecanismo capaz de redistribuir a contaminação dentro da colmeia
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Dentro de uma colmeia, a rainha costuma ser parcialmente protegida da contaminação porque operárias processam o alimento antes de entregá-lo. Um experimento publicado em 2026 mostrou, porém, que essa proteção tem limites. Quando a exposição persistiu, ocorreu transferência materna do pesticida para os ovos , reduzindo a carga química mantida no corpo da rainha, mas deslocando parte do problema para a geração seguinte.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Davis, do USDA e do Lawrence Livermore National Laboratory montaram pequenas colônias experimentais com uma rainha e 60 operárias. As abelhas receberam alimento contendo metil paration marcado com carbono-14, o que permitiu rastrear quantidades extremamente pequenas do composto.
Com o tempo, o pesticida apareceu nos ovários e depois nos ovos. Os autores interpretaram essa passagem como uma forma de descarregar parte da contaminação acumulada pela rainha. Esse mecanismo já é conhecido em alguns vertebrados, mas ainda não havia sido demonstrado dessa maneira em abelhas sociais.
As operárias funcionaram como uma primeira barreira química. Ao processar e redistribuir o alimento, elas reduziram fortemente a concentração do pesticida antes que ele circulasse por outras partes da nanocolônia. Parte do composto também terminou depositada nas estruturas semelhantes aos favos.
Essa capacidade, entretanto, diminuiu sob exposição contínua. A redução da concentração chegou a aproximadamente 95% no início do experimento, mas caiu para cerca de 86% no décimo dia, indicando que a proteção social pode ser progressivamente sobrecarregada.
Este vídeo discute como pesticidas podem afetar abelhas e outros polinizadores.
No décimo dia, as operárias apresentavam, em média, uma concentração corporal do pesticida cerca de 55 vezes maior que a das rainhas. Os pesquisadores encontraram aproximadamente 1.049 partes por bilhão nas operárias contra cerca de 19 partes por bilhão nas rainhas.
Não. O estudo demonstrou a passagem do composto para os ovos, mas não determinou que toda exposição resulte em falha embrionária ou morte da prole. Os próprios pesquisadores destacam que ainda é necessário estabelecer quanto pesticida pode ser transferido antes que o desenvolvimento seja prejudicado.
A Universidade da Califórnia em Davis descreveu a possibilidade de um ponto crítico no qual a carga nos ovos se torne suficientemente elevada para comprometer o desenvolvimento. Também permanece incerto se o mesmo padrão ocorre com diferentes pesticidas ou sob condições reais de campo.
O uso da espectrometria de massa com acelerador biológico permitiu seguir o carbono-14 em concentrações extremamente baixas. Assim, os cientistas acompanharam a passagem do metil paration entre alimento, operárias, rainha, ovários, ovos e materiais do favo.
Outro resultado foi que a própria presença da rainha alterou a distribuição química da nanocolônia.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.