Julgamento por morte com Porsche ouve hoje réu, PM e perito em São Paulo
O segundo dia de julgamento de Fernando Sastre, acusado de dirigir embriagado e em alta velocidade um Porsche e matar o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, em março de 2024, ouve hoje três pessoas, incluindo o réu.
A PM Daisy Romão é a primeira a ser ouvida neste segundo dia. Ela foi apontada como a responsável por liberar o réu e a mãe dele, Daniela Andrade, antes que ele realizasse o teste de bafômetro.
A policial havia solicitado para ser dispensada do rol de testemunhas e não comparecer ao júri, mas o pedido foi negado. Ela solicitou a dispensa, pois foi denunciada na Justiça Militar paulista por não preservar o local dos fatos e deixar o acusado sair do local da colisão. O juízo, no entanto, manteve sua intimação argumentando que ela pode ficar em silêncio caso acredite que seu depoimento pode incriminá-la.
Daisy foi questionada pelos advogados de Sastre se ele tinha um sangramento no nariz. Ela respondeu que sim, e que liberou o réu e a mãe acreditando que eles fossem buscar socorro em um hospital da região.
Outra pessoa que será ouvida é um perito contratado pela defesa do réu. Ele vai explicar a dinâmica da colisão a partir de sua ótica e deve apresentar indícios de que o Porsche 911 de Sastre apresentou falhas técnicas que teriam provocado a batida, argumento que já foi dado pela mãe do réu em depoimento ontem (veja mais abaixo).
Por fim, o próprio acusado deve ser ouvido. Preso desde, ele segue acompanhando o julgamento sentado na cadeira de réu.
O primeiro dia do julgamento foi marcado pela desistência da defesa em ouvir a ex-namorada de Fernando, pela expulsão dela e de uma tia do réu do plenário e pelo relato emocionado do filho da vítima. Foram ouvidas nove pessoas ontem, entre testemunhas oculares e familiares dos envolvidos.
A defesa desistiu do depoimento de Giovanna Pinheiro, ex-namorada de Sastre e apontada como uma das principais testemunhas do caso. Ela estava com o empresário e um casal de amigos, Marcus Vinicius Machado Rocha e Juliana Simões, em um estabelecimento pouco antes de ele assumir a direção do Porsche na noite da colisão.
A Justiça havia expedido um mandado de condução coercitiva para garantir a presença de Giovanna no plenário. Durante o julgamento, porém, os advogados abriram mão da oitiva — ela passou a acompanhar a sessão junto ao público.
A testemunha chegou a ser expulsa do plenário após se manifestar com gestos durante o depoimento de uma pessoa que presenciou o acidente. O promotor Rodolfo Moraes pediu a retirada dela e uma multa de 15 salários mínimos. A juíza Melanie Liesenberg acatou a expulsão, mas disse que o pedido de multa será julgado posteriormente.
Lucas Silva, filho de Ornaldo, também foi ouvido. Ele contou que a família vive dificuldades financeiras e sofrimento psicológico desde a morte do pai.
Segundo ele, o Renault Sandero usado por Ornaldo como motorista de aplicativo tinha financiamento em aberto e o seguro havia deixado de ser pago no mês da colisão. O carro teve perda total e a carcaça segue guardada na garagem de um vizinho — espaço pelo qual Lucas diz pagar, sem conseguir se desfazer do veículo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.