O desafio de Eduardo Riedel: equilibrar contas e reduzir desigualdades
A discussão sobre o futuro das contas de Mato Grosso do Sul precisa começar por uma pergunta: o que o governo está disposto a mudar em sua própria estrutura antes de pedir mais dinheiro à sociedade? Reeleito no primeiro turno, Eduardo Riedel tem a oportunidade de transformar o planejamento do próximo mandato em uma revisão profunda das prioridades estaduais.
Para isso, o diagnóstico em elaboração pelos secretários precisa ultrapassar a identificação de necessidades e enfrentar a qualidade das despesas, a distribuição dos recursos e o custo das escolhas políticas.
O levantamento das áreas de governo, com propostas para os próximos quatro anos e previsão de encaminhamento de projetos à Assembleia Legislativa depois do segundo turno, pode oferecer uma base importante para essa mudança.
Mas seu valor dependerá da franqueza com que apresentar os problemas.
A população precisa conhecer o tamanho das dificuldades financeiras, suas causas e as alternativas disponíveis.
Sem essa exposição, qualquer proposta de ajuste chegará ao contribuinte como uma cobrança cujo motivo ele não consegue conferir.
É necessário distinguir dificuldades passageiras de desequilíbrios permanentes.
Uma queda temporária de arrecadação exige respostas diferentes daquelas necessárias quando as despesas crescem continuamente acima da capacidade de pagamento.
Também é preciso separar dinheiro disponível de recursos vinculados, compromissos futuros de contas já vencidas e receitas recorrentes de entradas excepcionais.
Um saldo positivo em determinado momento, isoladamente, pouco revela sobre a capacidade de sustentar serviços e investimentos ao longo de quatro anos.
Essa clareza deve preceder, sobretudo, eventuais alterações na arrecadação de tributos.
Buscar recursos faz parte da responsabilidade de governar.
Entretanto, ampliar a cobrança sem demonstrar esforço equivalente para eliminar desperdícios compromete a legitimidade do ajuste.
Famílias e empresas também administram orçamentos apertados.
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