Leilão de baterias e quando a falha não é do mercado
Diretora do FGV-Ceri (Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura da FGV), foi diretora da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e professora visitante na Harvard Kennedy School
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Às vésperas de mais um Dia dos Pais, o Operador Nacional do Sistema (ONS) colocou distribuidoras de eletricidade em prontidão diante do risco de dificuldades na operação do sistema elétrico. Horas depois, reavaliou o cenário e descartou a necessidade de acionar medidas emergenciais.
O episódio terminou sem maiores consequências, mas evidenciou um desafio crescente: um sistema elétrico cada vez mais renovável exige também maior flexibilidade para operar com segurança.
É nesse contexto que ganha importância o primeiro leilão brasileiro destinado exclusivamente à contratação de sistemas de armazenamento por baterias , previsto para dezembro. O interesse do mercado impressiona.
A etapa de cadastramento reuniu 6.091 projetos, somando cerca de 297 gigawatts (GW) de capacidade instalada —volume superior à capacidade hoje em operação no sistema elétrico brasileiro.
Embora parte desses projetos não seja habilitada na etapa de qualificação conduzida pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), os números superlativos revelam um fato inequívoco: existe disposição para investir em uma tecnologia considerada estratégica para a transição energética.
Paradoxalmente, esse entusiasmo já revela com sinais de cautela. Empresas tradicionais admitem reduzir ou até abandonar sua participação diante da percepção de retornos insuficientes e do elevado grau de incerteza regulatória.
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