Alex Saab, ex-ministro de Maduro, faz delação de 1 bilhão e pode ser usado por Trump contra Lula
Toda vez que os Estados Unidos precisam de munição contra um governo de esquerda na América Latina, aparece um nome que ninguém tinha ouvido falar até a véspera virar manchete.
Dessa vez, o nome é Alex Saab.
O colombiano que é acusado de ser testa de ferro de Nicolás Maduro fechou, nesta terça-feira, um acordo de delação com a Justiça americana.
Diz que vai devolver US$ 195 milhões — cerca de R$ 1 bilhão — e, o que importa mais, que vai falar.
Vai contar tudo o que sabe.
O timing não é detalhe, é o próprio conteúdo da notícia.
Menos de 24 horas depois do acordo fechado, o governo Trump mandou um recado ao Congresso americano: o Brasil “não está fazendo a lição de casa” no combate ao crime organizado.
E, se não fizer, “algo terá que ser feito”.
Faça as contas: delator solto, recado dado, eleição brasileira batendo na porta.
Não precisa ser mãe Dinah para enxergar o que se avizinha.
Fernando Morais, quando esteve comigo no Fórum Onze e Meia, já levantava uma desconfiança que na época parecia ousada: e se o Saab nunca tivesse sido, de fato, homem de Maduro? E se ele sempre tivesse jogado para os EUA? Pois bem: não é mais desconfiança.
Está em processo judicial, documentado, público.
Saab virou fonte paga da agência antidrogas americana em 2018 — dois anos antes de ser preso —, ainda no auge da confiança que Maduro depositava nele.
Entregou informação sobre propina, entregou nomes, entregou o próprio patrimônio: quase US$ 10 milhões, de bandeja, para o governo americano.
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