Concreto que parecia condenado por pequenas fissuras pode receber bactérias adormecidas que entram em ação quando a água alcança a rachadura
As bactérias convertem compostos orgânicos em carbonato de cálcio, mineral que preenche a fissura por dentro
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR O que você vai ver Como as bactérias são incorporadas ao concreto antes de endurecer. O que faz as bactérias despertarem justamente quando surge uma fissura. Como as bactérias efetivamente fecham a rachadura por dentro. Até que tamanho de fissura esse processo consegue resolver. Onde essa tecnologia já está sendo testada na prática. Concreto que antes seria considerado condenado por pequenas fissuras ganhou um aliado inesperado: bactérias misturadas à própria massa, que permanecem adormecidas por anos e só entram em ação quando a água encontra um caminho até a rachadura.
Bactérias do gênero Bacillus, conhecidas por formar esporos resistentes, são misturadas ao concreto ainda fresco junto com nutrientes específicos que servirão de alimento quando necessário, e permanecem nesse estado latente, sem nenhuma atividade biológica perceptível, enquanto a estrutura se mantém intacta e seca ao longo dos anos de uso normal.
As bactérias só saem do estado de dormência quando uma fissura se forma na estrutura e a água consegue penetrar até o ponto exato da rachadura, umidade que reativa os esporos adormecidos e dá início a um processo metabólico que, ao contrário do concreto comum, não exige nenhuma intervenção humana externa para começar a atuar sobre o dano recém-formado.
Uma vez ativas, as bactérias metabolizam os nutrientes adicionados junto com elas na mistura original e convertem compostos orgânicos em carbonato de cálcio, mineral que se acumula progressivamente dentro da própria fissura até preenchê-la por completo, numa espécie de cicatrização mineral que sela o dano estrutural de dentro para fora, sem necessidade de reparo manual aplicado posteriormente por uma equipe de manutenção.
Fabricantes que já comercializam aditivos desse tipo afirmam que o processo consegue preencher fissuras de até 0,8 milímetro de largura, e esperam que essa margem aumente conforme a tecnologia evolui, embora esse número específico ainda dependa de validação independente mais ampla antes de ser tratado como limite definitivo e garantido em qualquer condição de obra.
Uma equipe da Universidade de Bath, liderada pelo professor Kevin Paine, testou um painel de concreto armado com agentes bacterianos de autorreparo numa obra real de atualização de rodovia, como parte de um projeto de pesquisa sobre “concreto inteligente” conduzido entre 2025 e 2026, aplicação que representa um passo concreto rumo ao uso dessa tecnologia fora do ambiente controlado de laboratório.
Materiais que se consertam por conta própria quando as condições certas aparecem também aparecem no relato sobre as geocélulas escondidas sob a brita que impedem rodas de afundar no terreno .
Mais detalhes sobre o mecanismo estão disponíveis na reportagem original da Interesting Engineering .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.