Como ‘Batman: O Cavaleiro das Trevas’, que faz 40 anos, mudou os quadrinhos de super-heróis
A primeira aparição do Batman ocorreu na revista Detective Comics número 27, que chegou às bancas americanas oficialmente em 30 de março de 1939 — apesar de ter na capa data de maio daquele ano.
Criado por Bob Kane e Bill Finger, o Homem-Morcego original não carregava o cinto de utilidades, mas portava armas de fogo e matava ou mutilava os criminosos sem remorso.
Na primeira história, “O caso da sociedade química”, até joga um desses malfeitores dentro de um tanque de ácido.
Quase 50 anos depois, a percepção geral era muito ligada ao tom leve, humorístico e caricato da série de TV dos anos 1960 estrelada por Adam West.
A minissérie em quatro edições Batman: The Dark Knight Returns (no Brasil, Batman: O Cavaleiro das Trevas ), lançada em 1986, nos Estados Unidos, resgatou o tom extremamente sombrio e violento das primeiras aventuras.
Escrita e desenhada por Frank Miller, com arte-final de Klaus Janson e cores de Lynn Varley, a obra que completa 40 anos tornou-se um dos marcos mais importantes e da história dos quadrinhos.
Na trama, Bruce Wayne tem 55 anos e está aposentado do combate ao crime há uma década.
Ele decide retornar à ativa para enfrentar uma crescente onda de violência urbana alimentada por gangues violentas.
Ao voltar, o herói precisa lidar com a perseguição implacável da polícia e da mídia, além de enfrentar o Super-Homem, que se tornou um agente secreto submisso ao governo de Ronald Reagan.
Esse novo padrão dramático ditaria quase todas as versões dali em diante.
Página de ‘Batman: O Cavaleiro das Trevas’: Frank Miller resgata o herói de uma aposentadoria – Frank Miller/ DC/Reprodução Continua após a publicidade A história apresenta várias quebras de tabu.
Ao apresentar a adolescente Carrie Kelley como a nova Robin, Miller introduziu a primeira parceira feminina a vestir o manto de forma contínua, abrindo novos potenciais narrativos de proteção e paternidade para Bruce Wayne, o que acabou ecoando em redefinições futuras do papel dos Robins.
Por outro lado, a narrativa abriu a porta para interpretações exageradas.
De um detetive que ajuda a polícia, Batman se transforma em um vigilante brutal que toma a justiça com as próprias mãos.
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