'Inclusão não é exceção', diz 1ª comissária PcD autorizada pela Anac
Em junho deste ano, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) emitiu um CMA (Certificado Médico Aeronáutico) para uma comissária de voo com deficiência. Foi a primeira vez que a agência emitiu um certificado para uma PcD (Pessoa com Deficiência). Com o CMA, a profissional Luciana Rosa Rocha está apta fisicamente a exercer o cargo de comissária. Agora, Rocha procura uma companhia aérea disposta a contratá-la.
Para se tornar um comissário (a), a pessoa precisa obter o CMA (Certificado Médico Aeronáutico) e passar por uma banca de avaliação teórica da Anac. Na parte física, o CMA é a "constatação da aptidão" para exercer a profissão. No caso de Rocha, a avaliação operacional foi feita em estruturas que simulavam um avião real, que são os 'mockups', na sigla em inglês, de três modelos de aeronaves.
A conquista profissional de Rocha é o resultado de uma série de desafios vencidos ao longo dos anos. Ela nasceu com uma malformação em uma das mãos. "Não é uma coisa que me define, mas essa sou eu", afirma a nova comissária.
Rocha é de uma família simples e passou a infância em uma região periférica de São Paulo. Ela não precisou de adaptações para cursar a escola.
Na infância, ela costumava brincar com as filhas de um piloto de avião que morava na mesma rua onde residia seus avós. "Era a casa mais bonita da vizinhança", conta. Foi nesse ambiente que ela passou a admirar, encantar-se e associar a aviação com a possibilidade de ascensão socioeconômica. Quando o avô perguntava o que ela queria ser quando crescesse, a resposta vinha sem hesitação: "Eu queria ser aeromoça", lembra.
O sonho acabou sendo colocado de lado porque Rocha enxergava na profissão uma exigência de padrão físico que não podia atender. "Eu fui crescendo e fui riscando essa profissão do meu mapa por não acreditar que era para mim", diz.
No fim da adolescência, ela iniciou sua trajetória profissional no mercado formal, trabalhando primeiro em uma clínica dentária. Depois, em uma empresa que atuava com banco de imagens, onde permaneceu por 14 anos, passando por diferentes áreas, como recepção, financeiro e comercial. Na sequência, trabalhou por quase cinco anos em uma empresa concorrente do mesmo segmento.
Ao longo desses anos, o trabalho possibilitou que ajudasse os pais, ingressasse na faculdade, conquistasse o próprio carro e realizasse o sonho de fazer um "mochilão" pela Europa.
Após voltar para o Brasil, Rocha decidiu empreender. Abriu um negócio de produção artesanal de brigadeiros. Depois foi doula e, posteriormente, montou uma sorveteria. O ponto em comum entre essas atividade diversas, diz ela, é o contato direto e o cuidado com as pessoas.
Aos 33 anos, quando já havia construído uma carreira, Rocha conheceu seu marido, Werner, que estava no início de sua formação para piloto. A aviação voltou a fazer parte de sua vida de maneira ainda mais presente.
Anos depois, durante uma conversa despretensiosa com uma colega, o sonho de ser comissária foi "reativado". Embora o assunto tenha surgido de maneira casual, foi suficiente para fazer Rocha se questionar: "Por que não agora?".
Com o apoio do marido, mudou sua percepção em relação à aviação.
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